Hamilton Mourão volta a defender Bolsonaro e aposta em Tarcísio para representar a direita em 2026

Senador sugere que eventual anistia pode viabilizar retorno político do ex-presidente em 2030

27/08/2025 às 12h29
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão - Reprodução: Folha de S.Paulo
Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão - Reprodução: Folha de S.Paulo

Em entrevista exclusiva ao Terra, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) voltou a se posicionar em defesa de Jair Bolsonaro, alvo de investigações e réu por tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023. O ex-vice-presidente afirmou que o processo em andamento ocorreu “à margem do que seria o devido processo legal”, avaliou que a condenação do aliado é praticamente inevitável e já projeta uma eventual volta do ex-chefe do Executivo ao cenário político em 2030.

Mourão revelou ainda que pretende escolher “o melhor momento para fazer uma visita ao presidente Bolsonaro” e disse ter conversado com ele pouco antes de depor como testemunha de defesa no Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador também comentou sobre o comportamento da família Bolsonaro diante do cerco judicial. Tanto o ex-presidente quanto seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram indiciados pela Polícia Federal pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A acusação envolve articulações com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em busca de medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do STF.

“Uma situação delicada. Eu concordo com recentes comentários do ex-presidente Michel Temer a respeito do assunto. Ele colocou que o deputado Eduardo Bolsonaro tomou uma decisão de batalhar pela liberdade do pai dele, utilizando as armas que ele julgava que tinha à disposição”, disse Mourão, acrescentando que a movimentação trouxe repercussões negativas no exterior.

“É óbvio que isso gerou uma repercussão extremamente negativa. A partir do momento em que uma nação estrangeira busca influir em cima de outro país isso tem suas consequências. Eu, particularmente, critico essa ação dos Estados Unidos. Assim como em tempos passados, critiquei a esquerda, que era useira e vezeira em acorrer aos fóruns internacionais."

Ao comentar o tabuleiro eleitoral de 2026, Mourão citou nomes do campo conservador como Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite, mas destacou principalmente o governador de São Paulo.

“Temos aquele que considero a estrela da direita hoje, que é o governador Tarcísio, lá de São Paulo. Temos que nos juntar e apresentar uma candidatura sólida”, defendeu.

Mesmo reconhecendo Tarcísio como o principal nome do grupo, fez questão de ressaltar a relevância de Bolsonaro. “Quem colocou a direita no mapa do Brasil se chama Jair Bolsonaro.”

Para 2026, Mourão acredita que o ex-presidente dificilmente estará apto a concorrer, mas não descarta sua volta no futuro. “Julgo que, se ocorrer anistia ou elegermos, ano que vem, alguém disposto a conceder indulto ao presidente Bolsonaro, pode ser que, num futuro próximo, ele retorne para liderar o país”, concluiu.

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