
A escritora Manuela Dias, responsável pelo remake de Vale Tudo, se manifestou nesta quinta-feira (28) nas redes sociais, em meio à repercussão do desabafo feito por Taís Araújo, intérprete da protagonista Raquel. A atriz havia criticado os rumos da personagem, que voltou a vender sanduíches na praia depois de ascender como empresária.
No Instagram, Manuela compartilhou uma publicação da jornalista Vera Magalhães que elogiava o desenvolvimento do personagem Afonso, vivido por Humberto Carrão. “Dois capítulos todinhos de Afonso. É a chance não só de desenvolver esse personagem, mas de Humberto Carrão brilhar. Textões em todas as cenas, Manuella Dias”, escreveu Vera. A autora comentou: “Esse olhar que vale ouro”.
A postagem foi interpretada como uma forma de reagir às declarações de Taís, feitas em entrevista à revista Quem. A atriz disse ter se surpreendido e se frustrado com a decisão de fazer sua personagem retornar à praia após perder tudo.
Segundo Taís, a trajetória de Raquel destoou da narrativa original dos anos 1980, que mostrava a protagonista conquistando espaço e estabilidade por mérito próprio. “Confesso que recebi com um susto. Para mim, a Raquel ia numa curva ascendente. Quando vi aquilo, falei: ‘Ué, vai voltar para a praia, gente’. Entendi, mas fiquei triste e frustrada”, afirmou.
A atriz ressaltou ainda o impacto simbólico da personagem para a representação da mulher negra na televisão. “Como mulher negra, como artista negra, gostaria muito de ver uma narrativa diferente. A Raquel tinha todas as possibilidades de contar essa nova história de ascensão e permanência. É urgente que a gente se veja nesse lugar”, disse.
O desabafo mobilizou fãs da novela, que também lamentaram a mudança de trajetória. Para muitos, a personagem carregava um papel emblemático por mostrar a possibilidade de ascensão social a partir do trabalho.
O remake de Vale Tudo segue em exibição na faixa das 21h da TV Globo e tem reunido debate intenso sobre as adaptações feitas em relação à versão original, escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères em 1988.