Defesa de Bolsonaro alega que “não há uma única prova” sobre tentativa de golpe em 8 de janeiro

Advogado do ex-presidente foi o segundo a falar no segundo dia de julgamento do 'Núcleo crucial' da trama golpista

03/09/2025 às 12h10
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Ex-presidente e seus advoagados, Celso Villardi (à esquerda de Bolsonaro) e Paulo Amador Cunha Bueno (à direita) - Reprodução: Antonio Augusto / STF
Ex-presidente e seus advoagados, Celso Villardi (à esquerda de Bolsonaro) e Paulo Amador Cunha Bueno (à direita) - Reprodução: Antonio Augusto / STF

Durante o julgamento dos réus do 'núcleo crucial' da tentativa de golpe, o advogado Celso Villardi, que representa o ex-presidente Jair Bolsonaro, argumentou que faltam evidências da conspiração. Em sua exposição, neste segundo dia do processo (3), o defensor afirmou que o caso se baseia em um acordo de colaboração e em uma minuta de golpe apreendida pelas autoridades.

"Não há nenhuma prova concreta. Eu ouço aqui os advogados falando de 'este documento, esta minuta', 'este assunto', 'este testemunho'. Não existe uma única evidência que ligue o presidente [Jair Bolsonaro] à punhal verde e amarelo, à operação luneta e ao 8 de janeiro", declarou o defensor.

Villardi sustentou que seu cliente foi "arrastado" para os eventos que resultaram nos atos de insurreição. Em seguida, ele criticou a colaboração de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, afirmando que o tenente-coronel nem sequer mencionou a participação do ex-presidente.

"O delator, que mentiu sobre o presidente da República, nem ele chegou a falar da participação na 'Punhal' [verde e amarelo], na 'Luneta', na 'Copa' [grupo usado para planejar ações] e no 8 de janeiro".

O advogado destacou que Cid alterou sua versão "inúmeras vezes", fato que, segundo ele, foi reconhecido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Conforme a defesa, apenas essa circunstância seria suficiente para invalidar a colaboração.

Críticas à acusação

A defesa também criticou a promotoria, afirmando que a denúncia apresentada, sob o crivo do contraditório, "sequer produziu provas sobre os fatos". Villardi ainda disse que o acordo de colaboração, nos moldes atuais, é algo que "não existe".

"Nós temos uma delação que alguém chamou de 'jabuticaba' aqui. Não é uma jabuticaba, é muito mais séria, pois a jabuticaba existe aqui no Brasil. A colaboração da forma como está sendo apresentada nas alegações finais do Ministério Público não é uma jabuticaba. É algo que não existe aqui e em nenhum lugar do mundo. Porque, na verdade, o que se está querendo aqui é reconhecer uma parcial falsidade na colaboração e, ainda assim, aproveitá-la para diminuir a pena. Não é isso que o legislador prevê, como irei comprovar."

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