
Em uma ação coordenada pela Polícia Federal (PF), Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e Polícia Civil nesta quarta-feira (3), o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, de 35 anos, foi detido. Filho de um comerciante de ouro e líder comunitário, o político foi alvo da operação que investiga desvios e crimes.
Nascido na comunidade do Morro do Fubá, no Rio, Thiego ingressou na vida pública influenciado por Marcos Falcon, ex-presidente da Portela, assassinado em 2016 enquanto concorria a vereador. A morte de seu mentor o motivou a se engajar ainda mais na comunidade.
Sua carreira como joalheiro prosperou com a criação de peças extravagantes para funkeiros, jogadores de futebol e artistas. Correntes de ouro maciças com pedras preciosas, algumas pesando mais de três quilos, se tornaram populares entre celebridades como Neymar, Vini Jr., Adriano Imperador, Ludmilla e MC Poze do Rodo.
Em 2022, Thiego se elegeu com 15.105 votos, assumindo uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) como suplente do MDB. O cargo era anteriormente ocupado por Otoni de Paula Pai, que faleceu em maio do ano passado.
No mesmo ano, a Justiça do Rio de Janeiro já havia condenado TH Joias a quase 15 anos de prisão. Apesar disso, ele só assumiu o posto de deputado em 2024, depois que sua defesa obteve um habeas corpus que lhe permitiu recorrer da sentença em liberdade. Entre as acusações, ele é suspeito de lavagem de dinheiro para diversas facções criminosas, além de responder por corrupção ativa e formação de organização criminosa. O parlamentar, no entanto, sempre negou as acusações.
Sua prisão, nesta quarta-feira (3), ocorreu em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Ele é acusado de tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas para a facção criminosa Comando Vermelho. As investigações apontam que ele estaria usando seu mandato para beneficiar o crime organizado, empregando pessoas ligadas ao grupo em seu gabinete e participando diretamente na compra e venda de entorpecentes e armamentos em áreas controladas pela facção.
As empresas do parlamentar teriam sido utilizadas para a lavagem de dinheiro da facção. A operação resultou em 18 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão, com alvos que incluem assessores do deputado, traficantes e outros envolvidos.