
O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior disse à mulher, a delegada da Polícia Civil Ana Paula Lamêgo Balbino, que “estava no lugar errado e na hora errada” após atirar no gari Laudemir de Souza Fernandes, 44. A frase aparece em conversa apagada por Renê e recuperada pela polícia. Segundo o inquérito, ele foi preso numa academia de luxo e, antes de ser levado à delegacia, enviou áudio à mulher dizendo que estava no estacionamento e havia sido abordado por policiais. As imagens das mensagens foram obtidas pelo g1.

De acordo com a investigação, Renê também tentou orientar a entrega de uma arma diferente da usada no crime. Da delegacia, escreveu à mulher para que entregasse “a nove milímetros” e não a pistola calibre .380, apontada como a arma do disparo. O pedido não foi atendido. Ainda segundo o inquérito, Ana Paula não respondeu às mensagens nem concordou com a solicitação.

O caso ocorreu em 11 de agosto, na esquina das ruas Jequitibá e Modestina de Souza, em Belo Horizonte. Testemunhas disseram que o empresário se irritou com a presença de um caminhão de lixo e exigiu passagem para o seu carro elétrico. A motorista afirmou que havia espaço para manobra. Houve discussão. Garis tentaram intervir. Renê atirou. Laudemir foi levado por policiais militares ao hospital e morreu.
Em 29 de agosto, Renê foi indiciado por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima , além de porte ilegal de arma e ameaça. Dias após o crime, ele confessou o disparo, depois de negar envolvimento. Se condenado, pode pegar até 35 anos de prisão. A delegada Ana Paula foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo por ter permitido o uso de sua arma; por ser servidora pública, a pena pode ser aumentada em até 50%, além da prevista de dois a quatro anos. A decisão caberá ao Judiciário.
Vídeos anexados ao inquérito mostram o empresário exibindo armas e o distintivo da mulher. Em outra gravação, ele aparece atirando para fora da varanda de uma casa com uma espingarda durante uma festa de réveillon. As imagens não trazem a data da filmagem.
Renê se apresenta em rede social, com quase 30 mil seguidores, como “Christian, husband, father & patriot”. No perfil profissional, afirma ser CEO da Fictor Alimentos. Em nota, a Fictor Alimentos LTDA informou que ele prestava serviços havia cerca de duas semanas e foi desligado. A Fictor Alimentos S/A negou vínculo empregatício.
Laudemir prestava serviços à prefeitura por meio de empresa terceirizada. A investigação segue com base nos depoimentos, nos registros de mensagens e nas perícias sobre as armas apreendidas.