
A defesa do general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, no Supremo Tribunal Federal (STF), gerou desconforto entre aliados de Jair Bolsonaro (PL) e outros réus do processo. Os advogados afirmaram que o militar teria atuado para demover o então presidente de adotar medidas de exceção após a derrota nas eleições de 2022. A tese, no entanto, joga Bolsonaro diretamente para o centro da trama golpista investigada pela Corte.
O discurso surpreendeu até ministros do STF. Nos bastidores, integrantes da 1ª Turma avaliaram que a defesa foi mais contundente do que se esperava, especialmente ao detalhar episódios envolvendo Paulo Sérgio nos últimos meses do governo passado.
Durante a sessão, a ministra Cármen Lúcia interveio e questionou os advogados sobre a afirmação de que o general teria impedido o ex-presidente de levar adiante medidas de ruptura institucional. A fala acabou reforçando a percepção de que Bolsonaro estava diretamente vinculado às articulações golpistas, contrariando a linha adotada por sua defesa até agora.
Segundo informações da jornalista Andréia Sadi, do g1, a repercussão imediata foi de forte irritação entre aliados políticos e advogados de outros réus no processo. Avaliam que a estratégia de Paulo Sérgio complicou ainda mais a situação do ex-presidente, que tenta afastar de si o protagonismo nas articulações golpistas.
Nos bastidores do STF, a situação de Paulo Sérgio e do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, começou a ser avaliada em separado. Alguns ministros consideram que o envolvimento deles pode ter peso distinto em relação a outros acusados, embora ainda vejam indícios de que ambos tinham conhecimento do que estava em andamento.
Sobre Paulo Sérgio, comandantes das três Forças Armadas relataram que, na época, o general realmente teria se reunido com Bolsonaro para afastar qualquer possibilidade de golpe. Essa versão abre espaço para divergências dentro da própria Corte sobre a extensão da responsabilidade do ex-ministro.
Já em relação a Heleno, a percepção é de que ele teria desaparecido do cenário político logo após a reunião em que falou em “virar a mesa”. Mesmo assim, ministros entendem que será difícil sustentar que desconhecia os movimentos golpistas em curso.