Organização criminosa é presa por vender 'cogumelos mágicos' no Distrito Federal

Operação da Polícia Civil acontece em oito estados. Nove pessoas foram presas e mais de 3 mil pacotes da droga foram apreendidos

04/09/2025 às 12h36
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Operação da Polícia Civil acontece em oito estados. Nove pessoas foram presas e mais de 3 mil pacotes da droga foram apreendidos - Reprodução: Divulgação/PCDF
Operação da Polícia Civil acontece em oito estados. Nove pessoas foram presas e mais de 3 mil pacotes da droga foram apreendidos - Reprodução: Divulgação/PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desvendou uma operação complexa de tráfico de cogumelos alucinógenos que se estendia por todo o Brasil. Na manhã desta quinta-feira (4), a ação resultou na prisão de nove indivíduos e na apreensão de mais de 3 mil embalagens do material ilícito.

Os "cogumelos mágicos" eram comercializados através de uma conta em redes sociais, com a divulgação amplificada por influenciadores digitais, e entregues aos compradores via Correios. As investigações revelaram que se trata da maior rede de cultivo e distribuição desses cogumes psicodélicos no país. A Anvisa proíbe a psilocibina, o composto alucinógeno presente nesses cogumelos, no território brasileiro.

Ação Policial e Esquema de Vendas

Batizada como "Operação Psicose", a ofensiva da PCDF ocorreu em diversas regiões do Brasil, incluindo Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará, Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo. Entre os nove detidos, dois foram capturados no Distrito Federal, em Águas Claras e Taguatinga.

A PCDF alerta que os efeitos dos cogumelos são comparáveis aos de entorpecentes sintéticos e que uma dosagem inadequada pode levar a consequências graves, inclusive a morte.

O grupo vendia os produtos de três formas diferentes: desidratados, misturados em mel ou em forma de cápsulas.

Funcionamento da Rede Criminosa

O esquema usava as redes sociais e influenciadores para atrair clientes, em sua maioria jovens frequentadores de festas de música eletrônica. Para o envio dos entorpecentes, o grupo utilizava os Correios e o sistema de dropshipping, um modelo de vendas online no qual o vendedor não mantém um estoque físico.

Embora a plataforma de vendas fosse administrada no Distrito Federal e contasse com um cultivo próprio, a capacidade era insuficiente para atender à demanda da extensa rede de distribuição. O centro logístico da operação ficava em Curitiba, no Paraná, em galpões transformados em laboratórios com salas de cultivo capazes de produzir até 200 quilos de cogumelos mensalmente.

A polícia identificou 3.718 remessas enviadas para o Distrito Federal entre 2024 e 2025, totalizando mais de 1,3 tonelada de cogumelos. O grupo promovia sua marca em festivais de música e eventos de lazer, usando DJs e influenciadores para associar seus produtos a experiências recreativas. Estima-se que a rede movimentou R$ 26 milhões em apenas um ano.

Os detidos enfrentarão acusações por tráfico de drogas qualificado, lavagem de dinheiro, participação em organização criminosa, danos à agricultura, pecuária, fauna e ecossistemas, publicidade abusiva e curandeirismo.

O que são "cogumelos mágicos"?

Os cogumelos, popularmente conhecidos como “mágicos”, contêm psilocibina, um composto psicodélico natural que altera a percepção, a noção de tempo e espaço, e pode induzir a intensas experiências emocionais e visuais.

A Portaria nº 344/1998 da Anvisa classifica a psilocibina como substância proibida no Brasil, tornando seu cultivo e comercialização atividades ilegais passíveis de punição.

Esse tipo de cogumelo é consumido em festas de música eletrônica e em ambientes recreativos, pois os usuários buscam uma sensação de euforia. Eles se tornaram uma alternativa natural a drogas sintéticas como LSD e MDMA, mas seus efeitos podem ser imprevisíveis, causando ansiedade e paranoia dependendo da dose.

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