
O ato em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro reuniu 42,2 mil pessoas na Avenida Paulista neste domingo (7), segundo levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common, que utiliza inteligência artificial para estimar públicos em manifestações. Com margem de erro de 12%, o cálculo aponta um pico entre 37,1 mil e 47,3 mil presentes, número próximo ao registrado no 7 de Setembro de 2024, quando 45,4 mil pessoas foram à Paulista.
As manifestações tiveram como bandeira principal o pedido de anistia para condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. Na Paulista, apoiadores abriram uma bandeira gigante dos Estados Unidos e exibiram cartazes em inglês direcionados a Donald Trump. O governador Tarcísio de Freitas chamou Alexandre de Moraes de “tirano”, em meio a duras críticas ao Supremo Tribunal Federal.
Entre as lideranças políticas e religiosas presentes estavam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, o presidente do PL Valdemar Costa Neto e o deputado Sóstenes Cavalcante. Bolsonaro, em prisão domiciliar, não pôde comparecer, nem enviar mensagens gravadas, já que descumpriu restrições anteriores.
O julgamento do ex-presidente será retomado nesta terça (9) no STF. Ele responde por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, cujas penas somadas podem chegar a 43 anos de prisão. A expectativa da base bolsonarista é que a pressão das ruas fortaleça a narrativa de perseguição contra o ex-mandatário.
Independência é liberdade! Não há quem cale uma nação inteira. A direita está mais unida do que nunca, e o grito é um só: Anistia! pic.twitter.com/gBxvUc7eh7
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) September 7, 2025
No Rio de Janeiro, 42,7 mil apoiadores se concentraram em Copacabana durante a manhã. Já em São Paulo, um ato convocado pela esquerda reuniu cerca de 8,8 mil manifestantes no mesmo dia. Em outras capitais, os números foram menores: 4,1 mil no Recife, 1,6 mil em Florianópolis e Belém, e 1,4 mil em Goiânia. Considerando a população, o Rio apresentou a maior taxa de mobilização, com 22,1 por mil eleitores.
As estimativas de público foram feitas a partir de imagens aéreas captadas por drones e analisadas pelo software P2PNet, que identifica e contabiliza automaticamente indivíduos na multidão. O método, com precisão de cerca de 73%, é considerado uma das ferramentas mais confiáveis para medir adesão em grandes eventos políticos.