
O cenário musical brasileiro lamenta a perda de Angela Ro Ro, que faleceu aos 75 anos nesta segunda-feira (8). Sua partida deixa um legado multifacetado, que transcende suas melodias emblemáticas, como "Amor Meu Grande Amor" e "Na Cama". Reconhecida como um ícone da música popular brasileira, a artista também foi uma figura crucial na defesa dos direitos LGBTQIA+.
Nascida como Angela Maria Diniz Gonsalves, o apelido "Ro Ro" surgiu na juventude devido à sua voz rouca e profunda. Desde cedo, demonstrou aptidão artística, aprendendo a tocar piano ainda na infância. Ao atingir a maturidade, mudou-se para a Europa, onde diversificou suas experiências profissionais enquanto cultivava sua paixão pela música, apresentando-se em pequenos estabelecimentos e traçando seu próprio caminho criativo.
Ao retornar ao Brasil, Angela continuou com suas apresentações intimistas no Rio de Janeiro, até ser descoberta por uma gravadora que também promovia talentos como Caetano Veloso, Cazuza e Astrud Gilberto. Em 1979, lançou seu álbum inaugural, com composições de sua autoria e adotando o nome artístico que se originou do apelido juvenil.
O trabalho de estreia já apresentava hits memoráveis, como "Amor, Meu Grande Amor" e "Balada da Arrasada". Contudo, Angela não se limitou: nos dois anos subsequentes, lançou mais dois álbuns, "Só Nos Resta Viver" e "Escândalo!", este último inspirado em seu tumultuado rompimento com Zizi Possi. Naquele período, a cantora enfrentou acusações de agressão contra a então namorada, um incidente que gerou considerável polêmica.
Em 2020, Angela expressou publicamente o ressentimento que ainda nutria sobre o episódio em uma entrevista ao Extra: "Eu nunca agredi ninguém, nem aquela cantora em 1981", desabafou. "Jamais lhe dei um tapa, nem ela em mim. E até hoje carrego essa marca de infâmia e difamação. Tenho grande admiração por seu canto, desejo-lhe o melhor, sem qualquer mal. Foi imperdoável e a omissão continua sendo", declarou.
Apesar das controvérsias, Angela manteve o foco em sua produção artística, lançando mais sete discos de estúdio, com sucessos como "Simples Carinho", "A Vida é Mesmo Assim", "Acertei no Milênio" e "Selvagem". Sua obra abrangeu a música popular brasileira dos anos 1980 até 2017, além de gravações ao vivo que marcaram sua extensa carreira.
Em uma conversa no Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, para o GShow em 2023, Angela Ro Ro recordou que, desde o início de sua trajetória, antecipava a receptividade de seu público, mas temia rejeição e condenação. A cantora admitiu ter enfrentado intensa discriminação, mas enfatizou a continuidade da luta por direitos e a necessidade de respeito à vida.