A Batalha Digital Pós-7 de Setembro: Lula vs. Bolsonaro em Campo Virtual

Estudo aponta 51% das menções ligadas a Bolsonaro e 47% a Lula, revelando polarização intensa no dia seguinte ao dia da Independência

08/09/2025 às 16h58
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Presidente Lula e Jair Bolsonaro - Reprodução: Brenno Carvalho/Agência O Globo / Ton Molina/STF
Presidente Lula e Jair Bolsonaro - Reprodução: Brenno Carvalho/Agência O Globo / Ton Molina/STF

O feriado de 7 de Setembro pode ter se encerrado nas ruas, mas a polarização política seguiu com força no dia seguinte, dominando as redes sociais. Uma análise aprofundada de mais de 6 milhões de menções em 24 horas revelou que a celebração da Independência do Brasil se converteu em uma "guerra digital", acirrada entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL).

O estudo, conduzido pela Ativaweb Inteligência Digital & Big Data, aponta que 51% das interações online foram impulsionadas por perfis associados a Bolsonaro. Essa cifra demonstra a notável resiliência e o engajamento de sua base nas mídias digitais, mesmo diante de restrições judiciais que limitam a presença do ex-mandatário. Em contrapartida, 47% das menções foram mobilizadas por apoiadores de Lula, indicando uma expansão das trincheiras da esquerda, especialmente no Nordeste, e a atração de novos públicos, sinalizando uma capilaridade superior à da direita. Apenas 2% dos usuários mantiveram uma postura neutra.

Narrativas em Conflito e as Hashtags da Discórdia

As discussões online seguiram caminhos divergentes. Entre os adeptos de Lula, as hashtags #BrasilSoberano, #Democracia e #Soberania predominaram, ressaltando a resistência e a unidade nacional. Em contraste, os seguidores de Bolsonaro priorizaram #AnistiaJá, #BolsonaroFree e #ForaMoraes, manifestando críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal (STF). Essa disputa narrativa ocorre em um momento crucial, com o julgamento de Jair Bolsonaro no STF entrando em sua fase decisiva, focando em acusações de atentado contra a ordem democrática.

Alek Maracajá, coordenador do estudo, descreve o cenário: "O dia seguinte revela mais que a festa: mostra o rastro da guerra. Bolsonaro mantém a tropa em pé; Lula amplia território. A Independência virou ressaca digital."

Reflexos das Ruas na Arena Digital

As redes sociais espelharam as manifestações presenciais ocorridas no 7 de Setembro. Em Brasília, um ato pró-Bolsonaro reuniu milhares, exigindo anistia e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Paralelamente, a esquerda promoveu o Grito dos Excluídos, abordando a soberania nacional e criticando a anistia a envolvidos nos eventos de 8 de Janeiro.

Em São Paulo, o desfile cívico no Anhembi contou com a presença de autoridades como o governador Tarcísio de Freitas. As manifestações populares, contudo, se dividiram: a esquerda exibiu bonecos de Bolsonaro como presidiário e criticou a influência norte-americana, enquanto a direita realizou um ato na Avenida Paulista com figuras como Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Silas Malafaia. No Rio de Janeiro, manifestações em Copacabana clamavam por liberdade para Bolsonaro e criticavam o STF, ao passo que grupos de esquerda protestavam contra a anistia.

A Distribuição Geográfica e a Força Regional

A análise digital também detalhou a distribuição geográfica das menções. Entre os perfis alinhados a Jair Bolsonaro, São Paulo liderou as interações, seguida pelo Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Goiânia, Curitiba, Brasília e Fortaleza também se destacaram, evidenciando a influência do Sudeste e de parte do Centro-Oeste na mobilização bolsonarista.

No campo lulista, São Paulo também apareceu em primeiro lugar, mas com maior expressividade, seguida pelo Rio de Janeiro e Salvador. Recife, Fortaleza e João Pessoa figuraram entre as cidades mais engajadas. Uma diferença notável foi o Índice de Força Regional (IFR): enquanto Bolsonaro manteve seu reduto no Sudeste, Lula apresentou uma distribuição mais equilibrada, com forte desempenho no Nordeste. Essa disparidade regional também se refletiu no Índice de Diversidade Narrativa (IDN), com os apoiadores do presidente focando em discursos sobre soberania, povo e democracia, e os bolsonaristas concentrando a narrativa em torno de anistia, críticas ao STF e defesa da liberdade.

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