
Nesta segunda-feira (8), um dia após as celebrações da Independência, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, convocou uma reunião estratégica com diversos membros do governo. O encontro, realizado no Palácio do Planalto, teve como foco principal a elaboração de uma estratégia para barrar a anistia relacionada aos eventos de 8 de Janeiro. A discussão reuniu particularmente ministros de partidos que compõem o chamado "Centrão", incluindo representantes do MDB, PSD e União Brasil.
Durante a sessão, Gleisi Hoffmann delineou duas diretrizes centrais para os ministros, visando impedir a aprovação do projeto de anistia na Câmara dos Deputados. A primeira orientação consistiu em mobilizar as bancadas partidárias de cada ministro para aliviar a pressão sobre o colégio de líderes da Câmara, no sentido de pautar a proposta. A expectativa é que essa ação diminua o ímpeto para que o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) leve o projeto a votação.
A segunda instrução da ministra foi para que os ministros intensifiquem o discurso público, enfatizando a existência de outras prioridades legislativas mais relevantes do que a anistia. Entre os projetos citados como mais importantes está a proposta que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda para cidadãos com rendimentos superiores a R$ 5 mil.
O encontro contou com a participação de nomes como Renan Filho (Transportes), Jader Filho (Cidades), Simone Tebet (Planejamento), André de Paula (Pesca), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Celso Sabino (Turismo).
Um detalhe notável na reunião foi a ausência de André Fufuca, o único ministro do PP presente no governo Lula. Essa falta ocorreu em paralelo à decisão da liderança do PP de retirar seu apoio ao governo. Em declaração à coluna, Fufuca justificou sua ausência por um compromisso prévio em seu ministério, o de Esportes, sem, no entanto, detalhar a natureza da atividade agendada.