
O Ministério Público de São Paulo revelou, em 2019, que o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, ordenou a morte do então delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, e de dois investigadores. A determinação teria sido dada logo após a transferência do criminoso para um presídio federal.
Segundo a denúncia, a cúpula da facção mobilizou integrantes para monitorar e executar as vítimas. A Polícia Civil atribuiu a ordem diretamente a Marcola, considerado o principal articulador de ataques contra autoridades. O MP denunciou 13 pessoas por participação no planejamento, incluindo líderes intermediários e membros responsáveis pela logística da ação.
Fontes assumiu a chefia da Polícia Civil em 2019 e era reconhecido pelo enfrentamento ao PCC. Ele já havia recebido ameaças antes mesmo de ocupar o cargo, mas intensificou medidas de combate à facção durante sua gestão. As investigações do MP indicaram que a reação do grupo criminoso foi uma retaliação à perda de privilégios e ao isolamento de Marcola no sistema federal.
Apesar das ameaças, Fontes permaneceu à frente da instituição até 2022. A morte do ex-delegado, ocorrida nesta segunda-feira, 15, em Praia Grande, litoral paulista, reacendeu o debate sobre a força do crime organizado e a vulnerabilidade de autoridades que se tornam alvos da facção.