Venezuela organiza exercícios militares no Caribe sob justificativa de ofensiva americana

A operação “Caribe Soberano” é uma resposta ao envio de destróieres norte-americanos à região, usando como pretexto o combate ao tráfico de drogas

19/09/2025 às 12h06
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: AFP - OLIVER CONTRERAS / RFI
Reprodução: AFP - OLIVER CONTRERAS / RFI

Com as tensões acirradas com os Estados Unidos, a Venezuela está realizando uma série de manobras militares de três dias na ilha caribenha de La Orchila. Batizada de “Caribe Soberano”, a operação é uma resposta direta à presença de destróieres americanos na região, que, segundo Washington, visam combater o narcotráfico. Caracas, por sua vez, vê a ação como uma “ameaça à soberania”, acusando os EUA de estarem preparando uma ofensiva e, em resposta, mobilizou sua frota, aviões de combate, milícias e um contingente de 25 mil militares.

A ilha, que fica a cerca de 180 quilômetros da costa venezuelana, é lar de uma estratégica base naval e está próxima ao local onde uma embarcação pesqueira do país foi interceptada por forças americanas no fim de semana. A operação envolve o uso de 12 navios, 22 aeronaves — incluindo caças — e 20 lanchas da milícia naval especial, de acordo com o vice-almirante Irwin Raul Pucci. Imagens transmitidas pela emissora estatal exibem peças de artilharia e embarcações de guerra posicionadas no local.

O presidente Nicolás Maduro classificou o cenário como uma “agressão militar em curso”, justificando a reação do seu governo com base no direito internacional. Ele ordenou o envio de 25 mil soldados para as fronteiras e conclamou a população a se alistar para “defender a pátria”.

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, ressaltou que a Venezuela precisa reforçar sua capacidade operacional frente ao “grande deslocamento de destróieres norte-americanos equipados com mísseis de cruzeiro”, que, segundo ele, não ameaçam apenas a Venezuela, mas toda a América Latina.

Essa escalada de conflito se dá em meio a acusações dos EUA contra Maduro, que o apontam como líder de um cartel de drogas e oferecem US$ 50 milhões por sua captura. Em contrapartida, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, declarou que o país apreendeu mais de 60 toneladas de narcóticos em 2020, o maior volume desde 2010. Ele também classificou as acusações americanas como “difíceis de acreditar”.

Cabello ainda questionou a versão dos americanos sobre a destruição de três embarcações supostamente cheias de drogas. “Eles dizem que havia fentanil vindo da Venezuela. Fentanil? Daqui? É muito difícil de acreditar”, disse em rede nacional.

A crise reaviva o alerta para o risco de choques militares no Caribe, gerando preocupações entre as nações vizinhas. Especialistas afirmam que, embora um confronto direto seja pouco provável, a retórica agressiva e a movimentação de tropas aumentam o risco de incidentes localizados, com consequências imprevisíveis para a estabilidade da região.

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