
A Polícia Civil de São Paulo está investigando a possível participação de um agente da Polícia Militar na execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, que foi assassinado com tiros de fuzil na última segunda-feira (15), em Praia Grande, no litoral paulista. O militar é o irmão do dono de uma residência usada como "base" pelos suspeitos do crime. Equipes da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar estão realizando buscas na cidade nesta sexta-feira (19).
O imóvel, localizado na rua Campos do Jordão, no bairro Jardim Imperador, fica a cerca de oito quilômetros da Prefeitura de Praia Grande, onde Ruy estava antes do ataque. Durante a perícia, foram encontradas pelo menos 40 impressões digitais, incluindo as do policial e de seu irmão. A polícia chegou ao local após denúncias de vizinhos que notaram uma movimentação suspeita na véspera do assassinato. Acredita-se que foi desse local que Dahesly Oliveira, a responsável por transportar o fuzil utilizado no homicídio, teria saído.
A diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Ivalda Aleixo, confirmou que a casa foi periciada na quarta-feira (17) com coleta de impressões digitais que podem ajudar a identificar outros envolvidos. Até o momento, quatro suspeitos já foram identificados.
Dahesly Oliveira, de 25 anos, está sob custódia e teria sido enviada, no dia seguinte ao crime, para recolher uma arma de fogo e levá-la a Diadema, na região metropolitana de São Paulo, onde ela vive. Outros três suspeitos são Flávio Henrique Ferreira de Souza, de 24 anos; Felipe Avelino da Silva, 33, conhecido como "Mascherano" e membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atua no ABC; e Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, que supostamente deu a ordem para a ação de Dahesly. Flávio, Felipe e Luiz tiveram suas prisões preventivas decretadas e continuam foragidos.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) não descarta nenhuma teoria para o caso, incluindo a participação de servidores públicos. Ruy Ferraz era considerado um inimigo do PCC durante sua carreira como delegado e também tinha desavenças dentro da própria instituição policial. As investigações continuam em sigilo para apurar todas as circunstâncias do assassinato.