
A decisão dos Estados Unidos de sancionar Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, repercutiu na imprensa internacional nesta terça-feira, 23. O governo de Donald Trump incluiu a advogada e a empresa da família, o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, em nova rodada de punições amparadas pela Lei Magnitsky.
O Washington Post afirmou que a medida “marca uma escalada na disputa diplomática” entre Trump, aliado de Jair Bolsonaro, e o governo brasileiro. O jornal destacou ainda que sanções do tipo são geralmente aplicadas contra regimes como Irã e Coreia do Norte.
Já o El País, da Espanha, observou que Viviane “se junta ao clube internacional de violadores de direitos humanos sancionados”, em lista que inclui cartéis mexicanos e extremistas islâmicos. O jornal lembrou que o próprio ministro Moraes foi alvo de sanções em julho.
A rede Al Jazeera apontou que advogados dos atingidos devem recorrer, mas com poucas chances de reverter as decisões. Para a emissora, o pacote de restrições “representa um aprofundamento da crise diplomática entre as duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental”.
Além de Viviane, o pacote atingiu ex-colaboradores do ministro e outras autoridades ligadas à Justiça Eleitoral, que tiveram vistos americanos suspensos. Entre eles, estão o desembargador Airton Vieira, o ex-ministro do TSE Benedito Gonçalves e a chefe de gabinete de Moraes, Cristina Kusahara.
O governo dos EUA vem anunciando medidas sucessivas contra o Judiciário brasileiro desde meados do ano. A ofensiva inclui tarifas comerciais, sanções pessoais a magistrados e cancelamento de vistos diplomáticos.