PCC usa rede de 60 motéis em nomes de laranjas para lavar dinheiro, dizem Receita e MP

Rede de 60 motéis em nomes de laranjas movimentou milhões e financiou bens de luxo ligados ao crime organizado, segundo Receita e MP.

25/09/2025 às 12h30
Por: Natália Raquel
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Agentes da Receita Federal participam da Operação Spare desta quinta (25), em São Paulo. Foto: Divulgação/Receita Federal
Agentes da Receita Federal participam da Operação Spare desta quinta (25), em São Paulo. Foto: Divulgação/Receita Federal

A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) identificaram cerca de 60 motéis operados em nomes de laranjas e ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre 2020 e 2024, esses estabelecimentos movimentaram mais de R$ 450 milhões e distribuíram R$ 45 milhões em lucros e dividendos a sócios vinculados ao crime organizado.

As descobertas fazem parte da Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira (25). Segundo a Receita, restaurantes dentro dos motéis também eram usados para movimentar dinheiro. Um deles, por exemplo, declarou receita de R$ 6,8 milhões entre 2022 e 2023 e distribuiu R$ 1,7 milhão em lucros.

Além dos motéis, o grupo investia em franquias, construção civil e imóveis de alto valor. Entre os bens adquiridos estão um helicóptero modelo Augusta A109E, um iate de 23 metros, uma Lamborghini Urus e terrenos avaliados em mais de R$ 20 milhões.

O esquema teria como principal articulador o empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, já investigado por fraudes no setor de combustíveis. De acordo com a Receita, ao menos 267 postos ainda ativos, ligados ao grupo, movimentaram R$ 4,5 bilhões no período, mas recolheram apenas 0,1% em tributos federais.

A Operação Spare cumpre 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santo André, Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco. Participam da ação 64 servidores da Receita, 28 integrantes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e cerca de 100 policiais militares.

Segundo os investigadores, a estrutura revela uma evolução no método de lavagem de dinheiro. Antes, predominavam empresas de fachada sem atividade real. Agora, negócios aparentemente legítimos, como motéis e franquias, são usados para mascarar a entrada de recursos ilícitos.

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