
A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) identificaram cerca de 60 motéis operados em nomes de laranjas e ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre 2020 e 2024, esses estabelecimentos movimentaram mais de R$ 450 milhões e distribuíram R$ 45 milhões em lucros e dividendos a sócios vinculados ao crime organizado.
As descobertas fazem parte da Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira (25). Segundo a Receita, restaurantes dentro dos motéis também eram usados para movimentar dinheiro. Um deles, por exemplo, declarou receita de R$ 6,8 milhões entre 2022 e 2023 e distribuiu R$ 1,7 milhão em lucros.
Além dos motéis, o grupo investia em franquias, construção civil e imóveis de alto valor. Entre os bens adquiridos estão um helicóptero modelo Augusta A109E, um iate de 23 metros, uma Lamborghini Urus e terrenos avaliados em mais de R$ 20 milhões.
O esquema teria como principal articulador o empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, já investigado por fraudes no setor de combustíveis. De acordo com a Receita, ao menos 267 postos ainda ativos, ligados ao grupo, movimentaram R$ 4,5 bilhões no período, mas recolheram apenas 0,1% em tributos federais.
A Operação Spare cumpre 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santo André, Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco. Participam da ação 64 servidores da Receita, 28 integrantes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e cerca de 100 policiais militares.
Segundo os investigadores, a estrutura revela uma evolução no método de lavagem de dinheiro. Antes, predominavam empresas de fachada sem atividade real. Agora, negócios aparentemente legítimos, como motéis e franquias, são usados para mascarar a entrada de recursos ilícitos.