Pai de menino Henry teme pela própria vida após receber ameaças: “Posso ser a próxima Marielle”

Vereador Leniel Borel acusa o pai de Jairinho por declarações feitas durante transmissões

26/09/2025 às 12h42
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Leniel e Henry Borel - Reprodução: Instagram
Leniel e Henry Borel - Reprodução: Instagram

O vereador Leniel Borel, pai do garoto Henry, assassinado em 2021 no apartamento onde residiam a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico Jairo Souza Santos Júnior, declarou em entrevista exclusiva ao BacciNotícias que sua segurança está em perigo constante. Segundo ele, uma rede criminosa, supostamente liderada pelo policial militar Coronel Jairo – pai do acusado "Dr. Jairinho" –, busca silenciá-lo e minar sua credibilidade perante o júri popular no processo pelo homicídio de seu filho.

Desde a morte da criança, há cinco anos, Leniel relata ser alvo de intimidações contínuas, que evoluíram de veladas para abertamente ameaçadoras.

"Eles estão tentando contra a minha vida, assessores do Jairo, o próprio Jairo, familiares… querem me apagar, me calar, parar esse pai", desabafou o parlamentar.

Estratégia de Interferência no Julgamento

A vítima alega que o grupo, composto por Jairo, Monique, Coronel Jairo e Thalita (irmã do médico), foi organizado com o objetivo de influenciar o julgamento do caso Henry.

"O foco deles é o júri. Querem que eu chegue ao julgamento descredibilizado ou que seja removido do processo. Mais do que a busca da verdade, a vitória para eles é me tirar do júri", enfatizou.

O vereador detalhou ainda uma série de táticas de intimidação e difamação empregadas pela quadrilha, incluindo ataques à sua honra, perseguição implacável, aliciamento de pessoas próximas e a utilização de uma "milícia digital".

"Eles cooptaram Fernanda Piacentini, que fez 350 lives contra mim, e até meu ex-advogado para bagunçar o processo. Trouxeram uma pastora dos EUA para me acusar falsamente de agressão", relatou Leniel.

Intensificação das Ameaças e Busca por Proteção

A situação se agravou após sua eleição para vereador, tornando os ataques praticamente diários. "As ameaças têm se aumentado. O próximo passo é eles virem para atentar contra a minha vida", alertou, ressaltando que procurou auxílio das autoridades policiais e do Ministério Público. "Estive com o Procurador Geral de Justiça e no Núcleo de Apoio a Vítimas pedindo que os promotores ajam de forma rápida para parar essa organização criminosa", afirmou.

Leniel concluiu, sublinhando a gravidade da situação: "Temo de me tornar uma próxima Marielle. Por isso hoje estou pedindo ajuda. Essa organização está claramente estruturada, e já apresentamos provas disto desde o começo do processo. São muitas ações contra mim, minha família e minha reputação, e tudo indica que eles não vão parar tão cedo".

Ações Judiciais

Temendo pela própria vida, o vereador já deu entrada em duas queixas-crime contra o coronel da reserva da Polícia Militar, Jairo Souza Santos. A defesa informa que novos procedimentos estão sendo instaurados, motivados por comentários feitos pelo Coronel Jairo em transmissões ao vivo, nas quais ele insinuou que Leniel teria alguma culpa na fatalidade do filho.

Durante as lives, o militar reformado proferiu ofensas contra Leniel, referindo-se a ele como "vagabundo" e "pilantra", além de acusá-lo de explorar a tragédia do filho para fins eleitorais. As ações criminais estão sendo julgadas nas 14ª e 32ª Varas Criminais do Rio de Janeiro.

O corpo jurídico de Leniel demonstra que ele é uma vítima indireta do homicídio de Henry Borel (por ser o pai que "suportou e suporta os gravíssimos efeitos morais, psicológicos e existenciais decorrentes do delito"), e, ao mesmo tempo, vítima direta de crimes subsequentes contra sua pessoa. Esses delitos incluem perseguição, stalking, crimes contra a honra — calúnia, difamação e injúria – e coação no curso do processo (art. 344 do CP), supostamente cometidos por terceiros e pessoas ligadas às defesas dos acusados Jairo e Monique.

O processo segue sob segredo de justiça.

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