Possível armadilha? Como os encontros presenciais com Trump representam um perigo para Lula

Após aceno de Trump durante Assembleia Geral da ONU, Lula poderá ter reunião com presidente americano em breve; ainda não há definição sobre data ou formato

29/09/2025 às 12h14
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - Reprodução: Reuter/Yuri Gripas e Marcelo Camargo/Agência Brasil
Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - Reprodução: Reuter/Yuri Gripas e Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode se encontrar com o ex-presidente americano Donald Trump em breve, após um cumprimento informal na Assembleia Geral da ONU em Nova York semana passada. O planejamento desse diálogo está em curso, sendo cogitado um telefone, vídeo ou até um encontro presencial na Europa ou Ásia, aproveitando as viagens de Lula.

Os Riscos de um Encontro Presencial

A possibilidade de uma reunião em Washington é vista como arriscada por analistas, devido ao histórico de Trump de transformar visitas à Casa Branca em um "espetáculo" de imprevisibilidade e potenciais constrangimentos públicos para líderes estrangeiros. Trump costuma conduzir reuniões no Salão Oval diante das câmeras, desviando do foco e, por vezes, lançando críticas inesperadas aos convidados.

Contexto de Tensão e Exemplos Anteriores

O histórico recente de atritos entre Lula e Trump aumenta a apreensão. Trump já impôs sanções e tarifas ao Brasil em um contexto de apoio a Jair Bolsonaro e críticas a decisões internas brasileiras. O historiador Matthew Dallek adverte que um encontro "seria altamente arriscado", dada a tendência de Trump de "tentar humilhar" o que ele vê como antagonistas.

Casos como os dos presidentes da Ucrânia (Zelensky) e da África do Sul (Ramaphosa), que foram confrontados e constrangidos em público no Salão Oval, servem de alerta. No caso brasileiro, o professor Vitelio Brustolin traça paralelos, mencionando a influência de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, junto a Trump e as recentes sanções contra pessoas ligadas ao ministro Alexandre de Moraes.

Preparativos e Recompensas

Apesar do alto risco de "hostilidade" e da necessidade de "bajulação" por parte do líder visitante, um encontro presencial pode trazer recompensas para o Brasil, como o destravamento de negociações econômicas. No entanto, a discussão política ligada à soberania e aos atritos passados é o "calcanhar de Aquiles" da relação, e nada sugere que uma reunião entre os dois será "amistosa".

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