
A artista e humorista Berta Loran, uma das figuras femininas precursoras no entretenimento cômico da televisão brasileira, faleceu na madrugada desta segunda-feira (29), aos 99 anos, na região de Copacabana, no Rio de Janeiro. A razão do óbito não foi divulgada publicamente. Ela celebraria seu centenário em março de 2026.
Nesta manhã, o Hospital Copa D'Or divulgou uma nota de pesar: "O Hospital Copa D'Or informa, com pesar, o falecimento da Sra. Berta Loran na noite de domingo (28) e se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda. O hospital também informa que não tem autorização da família para divulgar mais detalhes."
Nascida como Basza Ajs em Varsóvia, Polônia, em 1926, Berta emigrou para o Brasil com seus familiares em 1937, em fuga da repressão nazista. Ao chegar ao país, decidiu adotar o nome "Berta" para evitar constrangimentos no ambiente escolar. Ainda na juventude, descobriu sua vocação para os palcos, estreando aos 15 anos em uma companhia de teatro judaica ao lado de seu pai. Apaixonada pelo humor desde cedo, a artista obteve grande projeção nos espetáculos de revista e, pouco tempo depois, passou a brilhar na tela pequena.
Com uma carreira de mais de sete décadas, Berta se tornou uma referência nas principais produções humorísticas do país. Seu talento marcou programas históricos como Balança Mas Não Cai, Faça Humor, Não Faça Guerra, Escolinha do Professor Raimundo, Zorra Total e A Grande Família.
Na dramaturgia televisiva, ela também deixou sua marca em folhetins como Cambalacho (1986), Torre de Babel (1998), Cama de Gato (2009), Ti-Ti-Ti (2010), Cordel Encantado (2011) e A Dona do Pedaço (2019). No cinema, participou de obras como Jovens Polacas (2013) e Amarração do Amor (2021), sua última aparição nas telonas.
Berta sempre defendeu o riso como um elemento fundamental da existência. Em uma de suas últimas entrevistas concedidas ao Memória Globo, ela declarou: "Você pode perder apartamento, joia, dinheiro, e até um grande amor - 30 anos depois, quando você o reencontra, dará graças a Deus que o perdeu. Agora, o humor não pode ser perdido. Humor é tudo na vida".
A atriz se casou duas vezes. A primeira união, com o ator Saul Handfuss, foi marcada por momentos difíceis, incluindo perdas gestacionais. Já o segundo casamento, com Júlio Jacoba, perdurou por 22 anos, mas terminou em separação. Berta não teve descendentes e nos anos finais optou por uma existência mais discreta, longe dos holofotes. Com quase um século de idade e mais de setenta anos dedicados à arte, Berta Loran deixa uma herança cultural imensurável para o Brasil, sendo recordada pelo público como uma das grandes mestras da comicidade.