
O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, comunicou nesta terça-feira (30), que a Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito com o objetivo de rastrear a procedência e o esquema de fornecimento de bebidas alcoólicas modificadas com metanol, um composto venenoso associado a episódios de envenenamento em São Paulo.
Esta providência é motivada pela seriedade dos eventos, que já totalizam dez pessoas intoxicadas e três mortes atestadas, e pela chance de a atividade ilícita ultrapassar os limites territoriais do estado paulista. A corporação policial examina a possível participação de grupos criminosos organizados na fraude.
Lewandowski defendeu a intervenção da Polícia Federal alegando a probabilidade de que a cadeia de distribuição do item falsificado pudesse "transcender os limites de um único estado". O ministro declarou que, por se configurar como "uma ocorrência grave com reflexos na saúde pública", ordenou na segunda-feira ao diretor-geral da PF, André Rodrigues, a abertura de uma investigação. A finalidade é descobrir a fonte da substância química e desmantelar o sistema de distribuição.
Segundo o ministro, a situação gerou alerta por representar uma transformação no perfil da contaminação. "Normalmente a ingestão de metanol ocorria com relação a pessoas em situação de rua. Houve uma mudança de padrão a partir de meados de setembro, quando nós verificamos que essas intoxicações passaram a ocorrer em bares e restaurantes", pontuou. A razão identificada para o surto foi a manipulação fraudulenta de destilados, como uísque, gim e vodca, consumidos pelos frequentadores regulares desses estabelecimentos.