Morre Luiz Perillo, paciente que recebeu transplante de cinco órgãos do mesmo doador

Arquiteto de 35 anos aguardou quatro anos na fila do SUS e se tornou símbolo da mobilização pela doação de órgãos

30/09/2025 às 12h31 Atualizada em 30/09/2025 às 12h46
Por: Natália Raquel
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Luiz Perillo, arquiteto. Foto: Instagram/ Luiz Perillo
Luiz Perillo, arquiteto. Foto: Instagram/ Luiz Perillo

O arquiteto brasiliense Luiz Perillo, de 35 anos, morreu nesta terça-feira (30), em São Paulo, uma semana após passar por um transplante multivisceral  procedimento raro e considerado um dos mais complexos da medicina. Ele havia recebido estômago, pâncreas, fígado, intestino e rim de um mesmo doador.

Segundo familiares, após o primeiro ciclo da cirurgia, realizada em 23 de setembro, Luiz apresentou um quadro infeccioso. Os médicos decidiram interromper o processo para tratar a complicação, mas o paciente sofreu uma parada cardíaca. A morte foi confirmada pelas redes sociais da família nesta manhã.

O transplante representava uma esperança após quatro anos de espera na fila do Sistema Único de Saúde (SUS). Portador de trombofilia, doença que causa a formação de coágulos, Luiz teve a veia porta comprometida e os órgãos vitais em falência. Desde 2021, passou mais de dois anos internado, dependente de nutrição parenteral e sessões de hemodiálise. Durante esse período, chegou a pesar apenas 34 quilos.

Apesar do quadro grave, manteve rotina de exercícios físicos para preservar massa muscular e aumentar as chances de resistir à cirurgia. “O exercício físico salvou a vida dele”, afirmou a mãe, Jussara Martins, em entrevista ao g1 antes do procedimento.

A cirurgia só foi possível porque, em fevereiro deste ano, o SUS passou a incorporar o transplante multivisceral ao protocolo oficial. No Brasil, apenas cinco hospitais estão habilitados para realizá-lo. Em 2024, mais de 30 mil transplantes foram feitos no país, mas apenas dois foram desse tipo.

Durante a espera, Luiz se tornou ativista da causa e usava as redes sociais para conscientizar sobre a importância da doação de órgãos. Defendia que as famílias fossem informadas e estimulava o registro da autorização em documentos como o novo RG ou pela Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO).

A história de Luiz Perillo deixa um legado de mobilização e esperança. Sua luta por anos na fila do transplante e sua voz ativa em defesa da doação de órgãos marcam um capítulo raro e emblemático da medicina brasileira.

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