
O cantor Gilsinho, voz marcante e consagrada da Escola de Samba Portela, faleceu nessa última terça-feira (30), aos 55 anos de idade. A agremiação carioca divulgou que o artista sucumbiu "em razão de intercorrências após uma intervenção cirúrgica".
"Perdemos hoje uma das figuras mais relevantes da nossa trajetória: Gilsinho! Nosso magnífico vocalista! Ele, que tanto nos proporcionou orgulho desde 2006, com seu timbre inconfundível, sua paixão pelo samba e sua dedicação total à nossa instituição", expressa uma passagem do comunicado emitido pela Portela.
Conforme relatos de pessoas próximas e familiares, Gilsinho tinha sido submetido a uma operação bariátrica na semana anterior e, na segunda-feira (29), começou a manifestar problemas de saúde que se agravaram rapidamente.
A cirurgia bariátrica (ou cirurgia de redução do estômago) é um método no aparelho digestivo indicado para tratar a obesidade em grau severo. O procedimento modifica o volume do estômago e/ou a via percorrida pelos alimentos no intestino, visando diminuir a ingestão de calorias e, consequentemente, auxiliar na perda de peso. As modalidades mais frequentemente utilizadas incluem:
Gastrectomia vertical (Sleeve): Diminui o tamanho do estômago.
Derivação gástrica (Bypass): Cria um desvio no intestino para limitar a absorção dos nutrientes.
Geralmente, o procedimento é recomendado para indivíduos com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 40, ou acima de 35 se houver condições médicas associadas, como hipertensão ou diabetes.
A intervenção cirúrgica para emagrecimento é tida como segura, mas, tal como qualquer procedimento invasivo, carrega consigo certos perigos.
Em amplos levantamentos internacionais, o índice de óbito no período perioperatório (trinta dias subsequentes à operação) situa-se entre 0,08% e 0,1%, o que corresponde a menos de uma fatalidade a cada mil pacientes.
No Brasil, análises da Sci Elo Brasil apontam uma mortalidade hospitalar levemente superior em certas épocas, com variações entre 0,2% e 0,55%, dependendo da fonte de dados (rede pública ou particular). Uma pesquisa recente mencionou um índice de 0,25%, com a embolia pulmonar sendo a principal razão de falecimento.
As principais complicações que podem levar ao óbito incluem:
Tromboembolismo venoso pulmonar (Embolia): Frequente causa de morte no país, podendo manifestar-se dias depois da cirurgia.
Vazamento na sutura (Fístula/Deiscência): Risco de desencadear sepse e falência de órgãos.
Sangramento no pós-operatório: Possível causa de choque hipovolêmico.
Distúrbios respiratórios: Como insuficiência pulmonar e pneumonia.
Eventos cardíacos: Tais como arritmias ou infarto, em particular em pacientes com histórico de cardiopatias.
A probabilidade de ocorrência de complicações aumenta em pacientes que apresentam:
Enfermidades preexistentes (doenças cardíacas, renais, hepáticas ou respiratórias).
IMC muito elevado (Índice de Massa Corporal).
Cirurgias de revisão ou métodos mais complexos (como duodenal switch).
Clínicas com baixo volume de procedimentos ou ausência de protocolos preventivos (como a profilaxia de trombose).