Intérprete da Portela, Gilsinho, morre aos 55 anos após complicações de cirurgia bariátrica

Gilsinho tinha sido submetido a uma operação bariátrica na semana anterior e, na segunda-feira (29), começou a manifestar problemas de saúde que se agravaram rapidamente

01/10/2025 às 12h41
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Gilsinho, intérprete da Portela - Reprodução:
Gilsinho, intérprete da Portela - Reprodução:

O cantor Gilsinho, voz marcante e consagrada da Escola de Samba Portela, faleceu nessa última terça-feira (30), aos 55 anos de idade. A agremiação carioca divulgou que o artista sucumbiu "em razão de intercorrências após uma intervenção cirúrgica".

Homenagem da Portela

"Perdemos hoje uma das figuras mais relevantes da nossa trajetória: Gilsinho! Nosso magnífico vocalista! Ele, que tanto nos proporcionou orgulho desde 2006, com seu timbre inconfundível, sua paixão pelo samba e sua dedicação total à nossa instituição", expressa uma passagem do comunicado emitido pela Portela.

Conforme relatos de pessoas próximas e familiares, Gilsinho tinha sido submetido a uma operação bariátrica na semana anterior e, na segunda-feira (29), começou a manifestar problemas de saúde que se agravaram rapidamente.

Esclarecimento sobre o Procedimento Bariátrico

A cirurgia bariátrica (ou cirurgia de redução do estômago) é um método no aparelho digestivo indicado para tratar a obesidade em grau severo. O procedimento modifica o volume do estômago e/ou a via percorrida pelos alimentos no intestino, visando diminuir a ingestão de calorias e, consequentemente, auxiliar na perda de peso. As modalidades mais frequentemente utilizadas incluem:

  • Gastrectomia vertical (Sleeve): Diminui o tamanho do estômago.

  • Derivação gástrica (Bypass): Cria um desvio no intestino para limitar a absorção dos nutrientes.

Geralmente, o procedimento é recomendado para indivíduos com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 40, ou acima de 35 se houver condições médicas associadas, como hipertensão ou diabetes.

Taxas de Risco e Complicações

A intervenção cirúrgica para emagrecimento é tida como segura, mas, tal como qualquer procedimento invasivo, carrega consigo certos perigos.

Em amplos levantamentos internacionais, o índice de óbito no período perioperatório (trinta dias subsequentes à operação) situa-se entre 0,08% e 0,1%, o que corresponde a menos de uma fatalidade a cada mil pacientes.

No Brasil, análises da Sci Elo Brasil apontam uma mortalidade hospitalar levemente superior em certas épocas, com variações entre 0,2% e 0,55%, dependendo da fonte de dados (rede pública ou particular). Uma pesquisa recente mencionou um índice de 0,25%, com a embolia pulmonar sendo a principal razão de falecimento.

Problemas de Saúde Mais Sérios

As principais complicações que podem levar ao óbito incluem:

  • Tromboembolismo venoso pulmonar (Embolia): Frequente causa de morte no país, podendo manifestar-se dias depois da cirurgia.

  • Vazamento na sutura (Fístula/Deiscência): Risco de desencadear sepse e falência de órgãos.

  • Sangramento no pós-operatório: Possível causa de choque hipovolêmico.

  • Distúrbios respiratórios: Como insuficiência pulmonar e pneumonia.

  • Eventos cardíacos: Tais como arritmias ou infarto, em particular em pacientes com histórico de cardiopatias.

Elementos que Elevam o Risco

A probabilidade de ocorrência de complicações aumenta em pacientes que apresentam:

  • Enfermidades preexistentes (doenças cardíacas, renais, hepáticas ou respiratórias).

  • IMC muito elevado (Índice de Massa Corporal).

  • Cirurgias de revisão ou métodos mais complexos (como duodenal switch).

  • Clínicas com baixo volume de procedimentos ou ausência de protocolos preventivos (como a profilaxia de trombose).

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