
A influenciadora Laís Rodrigues Moreira, de 25 anos, conhecida como "Japa", foi apontada pela Polícia Civil como peça-chave em um esquema que usava vídeos falsos (deepfakes) de Gisele Bündchen e Sabrina Sato para dar credibilidade a anúncios fraudulentos.
Com mais de 110 mil seguidores no Instagram, Japa ajudava a impulsionar a divulgação das campanhas falsas, que, segundo a polícia, renderam mais de R$ 20 milhões ao grupo criminoso. Ela e a mãe, Silvana Rodrigues, de 52 anos, foram presas na última quarta-feira (1) em Piracicaba (SP), durante a Operação Modo Selva.
De acordo com as investigações, os criminosos manipulavam vídeos para simular falas das celebridades em supostas promoções e anúncios de marcas conhecidas. As propagandas direcionavam as vítimas para sites que cobravam pequenas taxas, entre R$ 20 e R$ 100, o que dificultava a denúncia e garantia alto faturamento ao grupo.
A polícia afirma que Japa não participava da criação dos deepfakes, mas emprestava sua imagem e alcance para ampliar o golpe, já que os fraudadores marcavam seu perfil nas campanhas falsas. “Ela funcionava como multiplicadora do golpe, aproveitando a confiança que seus seguidores tinham nela”, diz trecho de relatório policial.
O grupo era liderado por Levi Andrade da Silva Luz, criador de um perfil que oferecia “mentoria para predadores digitais”. Além dele, foram identificados outros membros, responsáveis pelo controle de contas, movimentação financeira e empresas usadas para processar os pagamentos.
Na operação, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão em cinco estados. Também houve bloqueio de 21 contas bancárias e criptoativos que podem chegar a R$ 210 milhões.
Japa e a mãe foram levadas para a cadeia anexa ao plantão policial em Piracicaba e seguem à disposição da Justiça. A investigação busca identificar todas as vítimas e recuperar parte dos valores desviados.