Segundo Governo Lula, possível anistia a Bolsonaro não foi assunto em conversa com Trump

Presidente do Brasil aproveitou reunião por videochamada para pedir pelo fim das sanções a autoridades brasileiras e sugeriu um encontro presencial, que deve ocorrer em breve

06/10/2025 às 16h19
Por: Mateus Pereira Fonte: Metrópoles
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Foto: montagem gerada por IA
Foto: montagem gerada por IA

Jair Bolsonaro (PL) não foi mencionado durante a conversa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, ocorrida na manhã desta segunda-feira (6). Dessa forma, não houveram tratativas para uma possível anistia ao ex-presidente. Segundo o portal Metrópoles, o petista evitou citar nomes específicos de ministros, mas aproveitou a ligação para pedir a retirada das sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras.

Atualmente, a Casa Branca aplica punições com base na Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa. Além disso, retirou o visto de entrada de algumas autoridades, entre elas o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A conversa entre os presidentes durou cerca de 30 minutos e contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do chanceler Mauro Vieira e do chefe da Secom, Sidônio Palmeira. Do lado americano, o interlocutor designado para acompanhar as tratativas é o secretário de Estado, Marco Rubio.

Durante o diálogo, Lula reforçou o pedido para que os EUA revoguem as tarifas de 40% sobre exportações brasileiras e retirem as sanções aplicadas a autoridades nacionais. Trump, por sua vez, demonstrou boa vontade em negociar e sugeriu que os dois mantenham uma comunicação direta.

Os líderes trocaram telefones pessoais e combinaram de se encontrar “em breve”. Lula propôs que o encontro ocorra durante a Cúpula da Asean, marcada para o final de outubro, na Malásia. O presidente brasileiro também renovou o convite para que Trump participe da COP30, em Belém (PA), e sinalizou disposição para viajar aos Estados Unidos.

De acordo com Geraldo Alckmin, ainda não há uma data definida para a nova reunião entre as duas autoridades.

Nos bastidores, o gesto de aproximação é visto como um movimento diplomático inédito desde que as relações entre Brasil e EUA se desgastaram por conta das sanções e da crise gerada após a condenação de Jair Bolsonaro, aliado de Trump.

O ex-presidente brasileiro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe após as eleições de 2022. À época, Trump chegou a acusar o governo Lula de promover uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, seus familiares e apoiadores.

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