
A teleconferência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder americano Donald Trump na última segunda-feira (6), concentrou-se no preço explosivo do café nos Estados Unidos. A causa central: a tarifa de 50% imposta por Trump sobre produtos brasileiros, que agravou a inflação de um item crucial para o consumidor americano.
Durante a conversa, Trump reconheceu que os EUA estavam "sentindo falta" de mercadorias brasileiras afetadas pela sobretaxa, mencionando explicitamente o café. O Brasil é o maior fornecedor do grão para o mercado americano, e a taxação disparou o custo da bebida.
Estatísticas mostram o impacto: o preço do café para o consumidor registrou a maior alta mensal em 14 anos em agosto, subindo – nove vezes a inflação média do mês. No acumulado de um ano, o aumento chegou a
, o maior desde 1997. A mídia americana atribuiu a escalada à tarifa e a problemas climáticos. O problema é grave porque os EUA, maiores importadores e consumidores globais, dependem do Brasil, que fornece cerca de um terço de todo o café consumido.
As consequências da medida protecionista são visíveis nos números:
Exportações em Queda: O total das exportações brasileiras para os EUA caiu em setembro.
Baixa no Café: As vendas de café (em quantidade) para o mercado americano despencaram no mês.
Déficit Bilateral: O crescimento das importações brasileiras dos EUA resultou em uma balança comercial negativa para o Brasil em US$ 1,77 bilhão, contribuindo para uma queda de no superávit total brasileiro.
Lula usou esses dados para solicitar a remoção da tarifa, aproveitando a conversa para também pedir a retirada de restrições contra autoridades brasileiras, como sanções ao ministro Alexandre de Moraes (STF).
A teleconferência de 30 minutos, descrita como "amistosa", ocorreu a pedido dos americanos e marca o avanço na relação entre os líderes, iniciada nos bastidores da ONU.
Ambos concordaram em se encontrar pessoalmente "em breve". Lula propôs a Cúpula da Asean ou a COP30, além de se dispor a viajar aos EUA. Trump, por sua vez, designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar continuidade às negociações com os ministros brasileiros, reforçando o compromisso com a "restauração das relações amigáveis" entre as duas maiores democracias do Ocidente.