
Matuê não hesita em discutir seu uso de maconha, abordando com naturalidade tanto a sua relação com a erva quanto os preconceitos associados a ela. Em uma conversa franca com a revista Breeza, o rapper relembrou como a maconha foi inicialmente associada a outras drogas pesadas em sua vida e falou sobre como isso mudou ao longo do tempo.
“Eu cresci meio que colocando a maconha dentro da mesma caixa com várias outras drogas muito mais pesadas. E aí, eu sempre fui o moleque mais focado nos esportes, eu me conectei com a ganja [versão feminina da Cannabis Sativa] cedo, mas eu não cheguei a ser um usuário cedo”, contou ele, relembrando o início de sua relação com a substância.
O rapper também comentou sobre o estigma que acompanha o uso da maconha:“Eu nunca gostei de ver uma coisa sendo tão estigmatizada, só que não era nada daquilo, tá ligado? Eu não tinha uma pretensão de falar pra mudar isso nem nada, mas eu achava isso tão zoado que foi uma coisa natural eu querer escrachar e mostrar isso, porque eu falava, pô, velho, eu me sinto melhor fazendo uso da cannabis, isso vem de uma forma positiva na minha vida, e todo mundo fala que é algo negativo. Então, p*rra, eu vou mostrar aqui que eu consigo ser a minha melhor forma, fumando umzinho, e que não faz mal, acho que talvez tenha sido por isso”, explicou ele.
A sinceridade de Matuê também gerou algumas preocupações, especialmente sobre a possibilidade de perder contratos publicitários. No entanto, ele afirma que a autenticidade foi sempre sua prioridade:
“Eu não tava muito visando isso. Eu acho que isso aí também é um contraponto interessante, porque realmente, logo depois eu enxerguei várias oportunidades dentro daquilo que eu tava fazendo e fui levando pro lado bem profissional mesmo, tentando realmente melhorar, profissionalizar, fazer a coisa com excelência mesmo, mas sem deixar de ser autêntico, sem deixar de ser eu”, disse.
Ele também refletiu sobre o seu compromisso com a transparência em relação ao uso da maconha:
“E como eu sempre fui um grande maconheiro, falei assim: ‘Ah, velho, eu não vou esconder nem nada do tipo, eu vou mostrar que é possível ter um relacionamento positivo com a erva, é possível ter um relacionamento saudável com a maconha'”, afirmou Matuê.
Matuê explicou que, com o tempo, ele conseguiu se estabelecer como uma figura relevante na mídia, o que acabou atraindo a atenção de empresas:
“Como eu me tornei uma figura que dificilmente eles conseguem ignorar, assim, na internet, na música e tal, eu consigo introduzir essas ideias que são cannabis friendly, tá entendendo?”, opinou o rapper.
Ele continuou, falando sobre sua ascensão no mercado publicitário:
“Então, comecei fazendo publicidade que não tinha nada a ver com a cannabis, as minhas primeiras publicidades eram coisas relacionadas a outras áreas, e à medida que a gente foi abrindo nesse ramo e meio que se provando, [pensavam] ‘ah, o cara consegue vender o produto bem’. Eu acho que as marcas entendem que a gente tem essa credibilidade com o público e que o público canábico, jovem, é também muito vasto. Então, existe toda uma indústria e personalidades que representam esse nicho, essa cena, e à medida que a questão legal da coisa se abre mais e a questão social também se torna um pouquinho menos tabu, eu sinto que essas marcas abrem um pouco mais a mente em relação a pessoas como eu”, explicou.
Matuê também falou sobre sua rotina de consumo, revelando que ele ajusta a frequência de uso dependendo das suas necessidades:
“Acho que isso muda muito, eu tenho fases onde eu dou uma diminuída, se eu preciso focar um pouquinho mais no trampo, se eu tô tendo muitas demandas que eu preciso realmente tá com outro tipo de pensar... tem uma época que eu tô mais dentro do estúdio e trabalhando mais com a criatividade, tô trabalhando mais, enfim, com coisas da música, coisas da arte, desenvolvimento de conceito e tal, e acabo fumando mais, então acho que isso varia muito”, revelou.
Ele também revelou que seus fãs, muitas vezes, o presenteiam com maconha, e que algumas surpresas o agradam:
“Acontece bastante, eu não vou mentir não (risos), e muitas vezes surpreende, eu diria, em muitos casos surpreende. Tem uma galera que tem poucas plantinhas, mas faz com muito carinho, e às vezes chega uma coisa que você fuma e fala caraca, legal, hein, bem interessante, bem diferente”, lembrou o rapper.
Além disso, Matuê destacou seu uso medicinal da maconha, explicando o impacto positivo que isso tem em sua vida:
“Eu acho que a maior diferença é que eu consegui provar que eu sou um usuário medicinal, e isso deveria ser normal pra todo mundo que precisa, poder tomar a planta, poder consumir a erva de forma medicinal sem precisar incomodar ninguém, ainda mais se for numa situação privada. Na verdade, fumar um beck é uma das coisas mais terapêuticas, mais medicinais que eu faço no meu dia a dia. Eu só queria estar resguardado na hora de fumar um beck, eu acho que é o que muita gente quer, sem hipocrisia nenhuma”, concluiu.