
Nessa última terça-feira (21), Gustavo Mioto deu a cara a tapa ao apontar a 'mesmice' do sertanejo nos últimos tempos. Ele afima que muitos artistas tem feito “qualquer coisa no desespero de fazer dar certo”. Com isso, sua estratégia para se manter original e relevante no meio é, justamente, fazer o simples que funciona, o famoso "feijão com arroz" bem feito.
Em entrevista ao G1, o cantor compara o sertanejo a um polvo, com inúmeras possibilidades, considerados os "braços", para com os outros gêneros musicais.
"O sertanejo tem se mantido no topo por ser um polvo. O pagode começou a crescer, e o sertanejo foi lá e fez uma mistura de sertanejo com pagode. O sertanejo faz com funk, com pop, com tudo. Isso é o que o sertanejo tem feito certo para se manter".
Em contrapartida, Mioto defende que com tal procedimento, vem o decaimento da qualidade das produções:
"“Eu acho que o sertanejo não tem evoluído em termos de qualidade. Não estou generalizando, não é todo mundo do sertanejo que está fazendo isso, mas a grande maioria tem copiado demais, tentando fazer mais do mesmo só pelo desespero de fazer dar certo. O pop, por outro lado, não tem seguido essa linha e por isso tem ganhado mais espaço. Não sei se com a mesma força que o sertanejo tem hoje, mas acredito que o pop ainda tem muito para crescer", afirmou.
Ainda sobre o pop, o cantor acredita, sim, que ele vem ganhando muito espaço entre o público, mas nada comparado à força e presença que o sertanejo carrega há décadas.
"O sertanejo tem uma força muito grande porque fala com as massas de uma forma simples e produz de maneira simples. É contraditório: a gente precisa investir no sertanejo, mas, ao mesmo tempo, é o simples que conquista. Fica meio nesse paradoxo. Mas eu ainda não vejo o pop atingindo as massas da mesma maneira que o sertanejo atinge todas as classes. O pop está mais elitizado", concluiu.