
Lito Sousa, de 59 anos, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), pode se tornar o primeiro ser humano a receber um medicamento experimental desenvolvido para combater a enfermidade. A possibilidade está sendo discutida pela família com uma empresa de biotecnologia, segundo revelou Mila Seidl, esposa do influenciador, ao "Fantástico", da TV Globo, no domingo (30).
As negociações ainda estão em andamento e surgem diante da ausência de tratamentos capazes de interromper a progressão da doença. Mila explicou que a família está disposta a assumir os riscos de um procedimento experimental para tentar mudar o desfecho do quadro.
“Eu não posso falar o nome [da empresa] agora, mas a gente talvez consiga alguma coisa. O Lito talvez seja a primeira pessoa a testar esse medicamento. Ele já foi testado in vitro, em peixes, macacos. A gente está disposto a assumir esse risco e tentar ter um desfecho diferente”, afirmou.
A doença de Creutzfeldt-Jakob provoca uma degeneração acelerada das células cerebrais e não possui, atualmente, um tratamento capaz de curar o paciente ou prolongar significativamente sua sobrevida. Segundo dados citados na reportagem, 547 casos confirmados foram registrados no Brasil entre 2005 e 2021, sendo a maior parte da forma espontânea da doença.
Diante da falta de terapias capazes de alterar a evolução do quadro, a família busca alternativas fora dos tratamentos convencionais. Mila também tentou encontrar estudos clínicos nos Estados Unidos e na China, mas Lito não conseguiu participar por causa dos critérios dos protocolos.
“Não sou negacionista e sei que é uma doença grave. Mas ouvimos de médicos que, se conseguirmos acesso aos remédios do estudo, talvez seja possível pausar o avanço da doença. Por isso solicitamos apoio de órgãos como o Ministério da Saúde, Anvisa e Itamaraty”, explicou.
Entre as possibilidades está o chamado uso compassivo, mecanismo que pode permitir o acesso de pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas a medicamentos ainda em fase de pesquisa. Enquanto isso, pesquisadores como Sonia Vallabh e Eric Minikel, do Broad Institute, trabalham no desenvolvimento de estratégias para impedir ou retardar a evolução das doenças provocadas por príons.