
O criador do movimento "Gays com Bolsonaro", Dom Lancellotti, declarou em entrevista ao NC News, nos protestos do Sete de Setembro, que a nação atravessa uma transformação na maneira como os cidadãos se engajam com a política. De acordo com o ativista, indivíduos que antes se mostravam distantes do tema passaram a se inteirar sobre figuras públicas, fatos e as intrigas dos bastidores da capital federal.
Na visão de Lancellotti, o cenário político vigente figura entre os períodos mais cruciais da trajetória recente brasileira. Ele ainda incentivou a presença da sociedade civil nas manifestações de rua, argumentando que tal mobilização fomenta o interesse popular pelas discussões de interesse coletivo.
Ao abordar sua vivência pessoal como homem gay e sua visão de mundo, Dom rechaçou o estereótipo de que a orientação sexual de um indivíduo condicione obrigatoriamente sua filiação ideológica: “Não é porque eu sou homossexual que eu preciso ser de esquerda. Não”.
Logo após, o entrevistado enalteceu o espectro político direitista, assegurando ter encontrado maior receptividade nesse grupo: “Hoje a direita... Pessoal, você sofre preconceito. Nunca sofre preconceito nenhum na direita. A direita, ela abraça. A direita, ela acolhe. Diferente da esquerda”.
O líder do movimento também apontou que as hostilidades virtuais que enfrenta provêm majoritariamente de ativistas progressistas, embora tenha ponderado que o meio conservador necessita progredir no diálogo voltado às demandas da diversidade sexual: “Todos os ataques que eu sofro nas redes sociais são de militantes de esquerda. A direita, claro, nós somos pessoas. Nós precisamos evoluir”.
Nesse sentido, ele sustentou que os conservadores precisam debater abertamente tópicos cruciais como oportunidades de trabalho, autonomia individual e discriminação, argumentando que a negligência dessas pautas estagna o progresso do debate: “Eu estou sempre trazendo essas questões envolvendo empregabilidade para as pessoas LGBTs, liberdade para as pessoas LGBTs, porque a direita precisa falar disso”.
O ativista repudiou, ademais, posturas que buscam camuflar a incidência de preconceito e homofobia no país, ressaltando que a admissão da realidade hostil é indispensável para combatê-la: “Ah, o Brasil, você finge como se não existisse homofobia e preconceito no Brasil. Existe”. Para ele, faz-se urgente despertar a sociedade a fim de erradicar tais atitudes: “Nós precisamos acordar para alertar mais pessoas para que isso deixe de existir”.
As ponderações acerca das nuances entre espectros ideológicos e a pauta da diversidade refletem estritamente o ponto de vista do interlocutor durante as comemorações cívicas da Independência, mesclando apoio ideológico a demandas por inclusão de pautas identitárias na agenda da direita.