Síndrome de Pica? Juliette expõe hábito bizarro e especialista alerta para riscos

Campeã do BBB 21 revelou no 'Saia Justa', da GNT, um desejo curioso com o qual convive

09/09/2026 às 12h24
Por: Mateus Pereira Fonte: Entretê/Terra
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Foto: Reprodução/Globoplay
Foto: Reprodução/Globoplay

Uma declaração de Juliette durante o programa Saia Justa, do GNT, chamou a atenção do público nas redes sociais. Em tom descontraído, a cantora revelou que comer talco está entre seus prazeres secretos. O comentário rapidamente repercutiu, mas também levantou uma questão relacionada à saúde.

A ingestão de substâncias que não são alimentos pode exigir atenção, principalmente quando o comportamento é frequente. O talco é destinado ao uso externo, e sua ingestão ou inalação pode provocar diferentes reações no organismo, segundo a orientação apresentada pelo nutrólogo Dr. Patrick Ferreira, em entrevista ao portal Entretê.

"Quando uma pessoa relata vontade frequente ou necessidade de ingerir substâncias que não são alimentos, não devemos simplesmente interpretar isso como um gosto diferente. É preciso entender a frequência, há quanto tempo acontece, a quantidade ingerida e se existem alterações nutricionais ou outros fatores associados. O organismo pode apresentar sinais de maneiras pouco óbvias", adverte o especialista.

Riscos da ingestão de talco

O produto não foi desenvolvido para consumo. A ingestão pode provocar irritação na garganta, tosse e vômitos, além de diarreia. O quadro pode se tornar mais grave caso o pó seja inalado e chegue aos pulmões, com risco de problemas respiratórios.

Por isso, o médico destaca que é importante entender se o relato corresponde a um episódio isolado ou a um comportamento recorrente. A frequência e o contexto são fundamentais para determinar a necessidade de uma investigação.

O que é a síndrome de pica?

O desejo persistente de consumir substâncias sem valor nutricional pode estar relacionado à síndrome de pica. O transtorno é caracterizado pela ingestão recorrente de materiais que não são considerados alimentos, como terra, giz, cabelo e papel, durante um período prolongado.

A condição pode aparecer com maior frequência durante a gestação ou em situações associadas à deficiência de ferro. Ainda assim, um comportamento isolado não é suficiente para estabelecer um diagnóstico.

"Deficiências nutricionais, especialmente a deficiência de ferro, precisam ser investigadas diante desse tipo de comportamento. Isso não significa que toda pessoa que sente vontade de comer algo incomum esteja com anemia, nem que o relato isolado permita fazer um diagnóstico. A avaliação clínica e, quando necessário, exames laboratoriais são fundamentais para descobrir se existe alguma carência nutricional", ressalta o médico.

Quando procurar ajuda médica

Para o especialista, comportamentos desse tipo não devem ser tratados apenas como uma curiosidade ou motivo de brincadeira quando se tornam recorrentes. A avaliação profissional pode ajudar a identificar possíveis causas e evitar complicações.

"Quando o desejo é recorrente, a orientação é procurar um profissional de saúde e investigar. Além de avaliar ferro, vitaminas, minerais e o padrão alimentar, precisamos compreender o contexto geral do paciente. O mais importante é não tentar corrigir uma possível deficiência por conta própria, tomando suplementos sem saber se ela realmente existe", pondera o Dr. Patrick Ferreira.

O médico reforça ainda que a investigação deve considerar o histórico e o comportamento de cada pessoa, sem conclusões precipitadas a partir de um único relato.

"Nosso corpo pode dar pistas de que alguma coisa precisa ser investigada. Um desejo alimentar muito diferente do habitual, principalmente quando envolve produtos que sequer são alimentos, é uma dessas situações. Em vez de normalizar ou sentir vergonha, o melhor caminho é entender por que aquilo está acontecendo", finaliza o profissional ao Entretê.

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