Augusto Cury ganharia de Lula no 2º turno, mas não chegaria na disputa, avalia CEO da Nexus

O abismo entre os dois panoramas é destrinchado por Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, ao portal Terra

09/09/2026 às 13h14
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Terra
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Reprodução: Manoella Mello/Globo
Reprodução: Manoella Mello/Globo

Dentre os dados revelados pelo levantamento do instituto BTG-Nexus divulgado na terça-feira (8), um dos aspectos de maior destaque diz respeito ao comportamento de Augusto Cury (Avante) nas projeções de segundo turno. O postulante desponta como o único, além de Flávio Bolsonaro (PL), com capacidade de superar numericamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual embate direto, muito embora continue distante de assegurar uma vaga na etapa decisiva do pleito. As informações são do portal Terra.

O abismo entre os dois panoramas é destrinchado por Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. Para o executivo, Cury delineou uma imagem hábil em seduzir eleitores de matrizes ideológicas plurais, porém ainda falha em traduzir essa força em caudal eleitoral necessário na fase inicial da disputa. “A gente não pode fechar os olhos para o fato de que uma coisa é ter potencial de voto no segundo turno, outra coisa é conseguir chegar no segundo turno”, sintetiza o especialista ao Terra.

No teste de segundo turno frente a Flávio Bolsonaro, o atual chefe do Executivo pontua 45%, ao passo que, na simulação contra Cury, o índice presidencial recua para 43%. A discrepância evidencia a existência de um segmento do eleitorado capaz de transitar de lado conforme o oponente de Lula.

“Ele, de fato, é competitivo no segundo turno, porque ele atrai o voto bolsonarista e ele atrai até uma parcelinha do eleitor do Lula que no segundo turno contra o Flávio vota no Lula, mas no segundo turno contra o Cury não vota no Lula”, detalha Tokarski.

O perfil desenha uma ponte com cidadãos que, num cenário polarizado clássico, tenderiam a escolhas mais rígidas. O grande entrave para o candidato do Avante reside justamente na largada: o estudo aponta Cury com 9% da preferência, contra 35% de Flávio Bolsonaro e os 39% do petista, que lidera a corrida na primeira rodada.

A desvantagem de 26 pontos percentuais em relação ao representante do PL demonstra que a capilaridade na fase final não se repete no início da corrida. “Se o primeiro turno fosse hoje, o Cury não teria qualquer chance de chegar ao segundo turno, mesmo sendo competitivo contra o Lula no segundo turno”, pondera o diretor da Nexus.

Impacto na terceira via e no primeiro turno

A ascensão de Cury traz um efeito colateral direto para a dinâmica geral: o fortalecimento do campo intermediário. Enquanto a soma de nomes fora do eixo de polarização principal chegou a minguar abaixo de 15%, o avanço do escritor empurrou esse bloco novamente para cima da marca dos 20%.

“Esse crescimento do Cury, ele por hora sepulta a chance de qualquer um ganhar no primeiro turno, porque ele fez a terceira via crescer”, pontua o analista. Com Lula marcando 39% e Flávio com 35%, e os demais concorrentes abocanhando cerca de 21% somados, a hipótese de uma definição antecipada em 4 de outubro perde força, visto que a cláusula de vitória no primeiro estágio exige cerca de 47,5% dos votos válidos.

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