Flávio acusa Dino de interferência política após operação sobre filme de Bolsonaro: “Já cansei de falar”

Candidato à Presidência afirmou que cinebiografia de Jair Bolsonaro não recebeu dinheiro público e questionou os fundamentos da investigação determinada pelo ministro do STF

10/09/2026 às 13h42 Atualizada em 10/09/2026 às 13h46
Por: Mateus Pereira Fonte: g1
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Foto: Reprodução/Nalu Cardoso - g1
Foto: Reprodução/Nalu Cardoso - g1

Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, acusou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de promover uma “tentativa de interferência política” nas eleições. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (10), em Boa Vista, após a Polícia Federal deflagrar uma operação para investigar suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”.

Ao comentar a investigação, Flávio voltou a afirmar que a produção sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, não recebeu recursos públicos. “Não tem absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem um centavo de dinheiro público, como já cansei de falar. Pode revirar do avesso de cima para baixo, trás para frente, um lado pro outro, de ponta de cabeça, que não vai ter nada. O que tem claramente é uma tentativa de interferência política mais uma vez agora do ministro Flávio Dino sobre as eleições. A única realidade, qual o fundamento dessa operação? Político”, afirmou.

A operação foi autorizada por Dino e investiga o repasse de R$ 2 milhões em recursos públicos feito pelo deputado federal Mario Frias (PL-RJ) para organizações ligadas à proprietária da empresa responsável pela cinebiografia. A Polícia Federal apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O caso já havia entrado no debate político em maio, quando foram divulgados áudios em que Flávio pedia R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme. Na ocasião, o candidato prometeu apresentar, em até 30 dias, uma prestação de contas detalhada sobre a produção.

Mais de três meses depois, Flávio afirmou que a produtora Go Up Entertainment, de Karina Gama, havia prestado contas e que os dados tinham sido divulgados pela imprensa. Os documentos, entretanto, apresentam informações gerais sobre receitas e despesas e foram entregues à investigação em São Paulo, sem detalhar publicamente toda a origem e a destinação dos valores.

Durante a agenda em Roraima, o candidato também falou sobre a disputa presidencial e declarou confiança em uma vitória contra Luiz Inácio Lula da Silva. “O Lula já abandonou a campanha política. Ele agora tá contando com os seus amigos no Supremo para tentar levar no tapetão. Vai perder no voto, vai perder no tapetão”, afirmou.

Agenda em Boa Vista

As declarações foram dadas após Flávio participar de uma reunião com empresários do agronegócio, políticos e apoiadores em um hotel no centro de Boa Vista. O encontro contou com a presença de aliados locais, entre eles Arthur Henrique (PL), candidato ao governo de Roraima, além dos candidatos ao Senado Nicoletti e Helio Lopes e do senador Hiran Gonçalves (PP).

Durante a agenda, Flávio afirmou que pretende atender às demandas de Roraima caso seja eleito e defendeu mudanças para reduzir entraves burocráticos que, na visão dele, dificultam o desenvolvimento do estado.

“O roraimense quer trabalhar e não consegue por causa de burocracia, perseguição ideológica de organismos públicos federais na parte de meio ambiente, na parte indígena”, declarou.

Depois da reunião, o candidato participou de uma motocarreata pelas principais avenidas de Boa Vista e encerrou a agenda com um comício na praça do Centro Cívico.

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