Jim Caviezel, o Bolsonaro de 'Dark Horse', compartilha frase bíblica após operação da PF

Ator compartilhou mensagem com referências ao Evangelho e a São João Paulo II no mesmo dia em que a Polícia Federal realizou buscas relacionadas à produção

10/09/2026 às 17h23
Por: Mateus Pereira
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Foto: Divulgação
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O ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”, compartilhou uma mensagem de cunho religioso nas redes sociais nesta quinta-feira (10/9), justamente no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou uma operação que mira pessoas ligadas à produção do longa. Na publicação, ele reproduziu a expressão em latim “Duc in altum”, traduzida como “Lançai-vos ao mar profundo”, além de citar uma passagem do Evangelho de Lucas e referências a São João Paulo II.

Em um dos trechos da mensagem, Caviezel escreveu: “Não se contentem com a mediocridade. Não tenham medo de ser santos!”. O texto também defende que a fé não deve ser encarada como algo confortável e termina com um chamado aos fiéis: “Não tenham medo. Vão mais fundo. Lançai vossas redes”.

A publicação acabou recebendo comentários relacionados ao momento vivido pelo filme. Um dos seguidores criticou a participação do ator em “Dark Horse” e afirmou que o longa teria sido utilizado para “roubar o povo brasileiro”. “Que merda pra carreira dele, participar de um filme que foi usado para roubar o povo brasileiro”, escreveu. Outro internauta fez um apelo em meio às controvérsias: “Jesus, olhai o Brasil, para que essas injustiças cessem!”.

Operação da Polícia Federal

A postagem foi feita no mesmo dia da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos. Entre os alvos da ação estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, ligada à produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”.

Conforme noticiou a coluna Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e contou com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU).

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e privados. Os investigadores suspeitam que parte dos recursos recebidos tenha sido direcionada para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação da prestação dos serviços. A corporação também identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas aos investigados.

A apuração envolve recursos de emendas parlamentares destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. Segundo as informações divulgadas nesta quinta-feira, Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas à entidade em 2024. Os contratos firmados pelo instituto e por empresas ligadas aos envolvidos também estão sob análise.

Além dessa investigação, outro inquérito em andamento no STF trata especificamente do financiamento de “Dark Horse”. Sob relatoria do ministro André Mendonça, a apuração analisa repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro para a produção do longa, a pedido do senador Flávio Bolsonaro, que nega qualquer irregularidade.

Apesar da repercussão envolvendo o filme e das investigações, Jim Caviezel não fez referência direta à Operação Make Up em sua publicação. O ator também nunca se pronunciou publicamente sobre as apurações ou sobre as controvérsias relacionadas ao longa.

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