Produtora de Dark Horse diz sofrer pressão para delatar: “Não serei novo Mauro Cid”

A diretora revelou ter sido sondada por um religioso e um operador jurídico oferecendo assistência em troca de revelações, além de denunciar intimidações atribuídas a antigos vínculos afetivos e profissionais

14/09/2026 às 09h36
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: CNN Brasil
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Reprodução: Redes Sociais
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Alvo recente da Operação Make Up, uma medida policial autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, para investigar o suposto escoamento de verbas públicas de emendas para a produção da fita biográfica "Dark Horse", centrada na figura do ex-mandatário Jair Bolsonaro, a cineasta Karina Gama declarou à CNN Brasil vivenciar forte pressão para fechar um acordo de colaboração premiada, embora reitere carecer de fatos para comprometer terceiros.

No âmbito das diligências dominicais, Dino decretou a quebra do sigilo fiscal da executiva e do Instituto Conhecer Brasil, entidade encabeçada por ela que detém um acordo milionário com a municipalidade paulistana para fornecimento de internet sem fio. A suspeita recai sobre o suposto direcionamento de parcelas financeiras à Go Up Entertainment, firma responsável pelo longa-metragem e também pertencente à empresária.

Durante a conversa com a emissora, a diretora revelou ter sido sondada por um religioso e um operador jurídico oferecendo assistência em troca de revelações, além de denunciar intimidações atribuídas a antigos vínculos afetivos e profissionais. Ela resumiu o temor de ser compelida a assumir um papel análogo ao do ex-assessor presidencial na trama golpista: "Quando você me pergunta a minha sensação da operação e da condução das investigações, eu entendo que é como se eu fosse o próximo Mauro Cid. Que eu preciso incriminar pessoas".

Enfatizando que sua atuação restringiu-se ao desenvolvimento do roteiro cinematográfico e iniciativas sociais, ela descartou ceder às pressões: "Não vou [ser o próximo Mauro Cid] [...] porque eu não tenho como incriminar ninguém. Eu não tenho, eu não vi, eu não participei de nada que incrimine pessoas. Tudo que a gente fez foi um filme", disse Gama à CNN Brasil.

A entrevistada classificou como tentativa de "censura" qualquer barreira à circulação da obra e pontuou ter votado na esquerda no passado, atribuindo o cerco atual a preconceitos, cobiça e hostilidade político-partidária.

"Eu fico numa situação que me deixa com medo. Porque eu não estou falando do projeto, eu tenho que falar o que querem ouvir, senão vão fazer da vida um inferno. Senão vão misturar tudo da vida e vão falar que é a mesma coisa. Eu não fui contratada para captar recursos. Eu fui contratada para produzir".

Paralelamente às investigações sob a tutela de Dino, outra frente no Supremo, conduzida por André Mendonça, examina repasses ordenados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido do senador governista Flávio Bolsonaro. Karina rechaçou qualquer uso de verbas parlamentares ou vínculo com o empresário recol indicado à prisão por fraudes no Banco Master, apontando que o aporte inicial decorreu do fundo Havengate após auditorias e adaptações orçamentárias.

"Eu não participei do fundo. Eu nunca participei do fundo e não era o meu papel. O meu papel ali era contratada do fundo. O fundo me validou, aprovou meu projeto, aprovou o orçamento, agora eu vou produzir", afirmou Karina.

Com histórico concentrado no terceiro setor antes da imersão na Sétima Arte e laços crescentes com o parlamentar e roteirista Mário Frias, igualmente alvo das diligências policiais, a produtora detalhou que as restrições de caixa para finalizar o filme de US$ 13,3 milhões eclodiram no encerramento de 2025: "Tudo dinheiro privado".

Enquanto uma delação homologada recentemente por Mendonça aponta remessas milionárias do exterior ao fundo via ordens do banqueiro detido e articulações do filho do ex-presidente, a cineasta insistiu na desvinculação com o operador financeiro: "O Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora. Não existiu nenhuma relação da produtora com o Vorcaro. Não existiu nenhuma relação da produtora com as empresas do Vorcaro".

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