‘Dark Horse’: Filme de Bolsonaro previa arrecadar o dobro de bilheteria de ‘Homem Aranha’

Filme do ex-presidente projetava arrecadar até R$ 510 milhões nos cinemas, valor muito acima dos R$ 379,1 milhões registrados pelo longa da Marvel

14/09/2026 às 16h53
Por: Mateus Pereira Fonte: Uol
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Foto: Divulgação
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O plano de negócios de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), previa uma arrecadação de até R$ 510 milhões nos cinemas, segundo matéria publicada pelo UOL. O valor projetado seria suficiente para superar em mais de R$ 130 milhões a bilheteria de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, atualmente o filme de maior arrecadação entre os longas em cartaz no Brasil. A produção, estrelada por Jim Caviezel no papel do ex-presidente, ainda não tem data definida para chegar aos cinemas.

As estimativas aparecem no chamado “Plano de Negócio Capitão do Povo”, documento encontrado pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Ao analisar os números, os investigadores fizeram comparações com resultados recentes do mercado cinematográfico e apontaram que até mesmo o cenário considerado conservador chamava atenção pelos valores envolvidos.

Na projeção mais baixa, “Dark Horse” poderia arrecadar US$ 45 milhões, o equivalente a cerca de R$ 229,5 milhões. Já o cenário intermediário previa US$ 70 milhões, aproximadamente R$ 357 milhões. O valor mais alto chegava a US$ 100 milhões, ou cerca de R$ 510 milhões. Para efeito de comparação, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” soma R$ 379,1 milhões.

A análise da PF também apontou que a previsão otimista superaria com folga a maior bilheteria de um filme brasileiro. “Minha Mãe É uma Peça 3”, lançado em 2019, acumula R$ 179,8 milhões em arrecadação, segundo dados da Ancine somados até 10 de setembro. No relatório policial, porém, foi considerado um valor aproximado de R$ 120 milhões para o longa.

Outras produções brasileiras também ficaram abaixo das projeções atribuídas a “Dark Horse”. “Ainda Estou Aqui” soma R$ 117,2 milhões, enquanto “Nada a Perder” chegou a R$ 116,4 milhões. Já “O Auto da Compadecida 2” arrecadou R$ 84,6 milhões e “Minha Vida em Marte” alcançou R$ 81,7 milhões.

Além da arrecadação, a Polícia Federal chamou atenção para o orçamento previsto para o projeto. O filme teria sido planejado com US$ 24 milhões, valor que hoje corresponde a aproximadamente R$ 122,4 milhões. Segundo o relatório, o montante seria dividido em 14 parcelas, sendo duas de US$ 2 milhões e outras 12 de cerca de US$ 1,67 milhão.

A documentação, porém, não detalhava como todo o orçamento seria empregado. Os responsáveis pelo projeto justificavam os valores pelo caráter internacional da produção, citando a participação do ator Jim Caviezel, do diretor Cyrus Nowrasteh, gravações em diferentes países e uma estratégia de marketing voltada ao mercado internacional.

A PF identificou ainda US$ 12,3 milhões em remessas destinadas ao Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos. Os valores foram enviados em 2025 pela Entre Investimentos e Participações, do empresário Antônio Carlos Freixo Junior, segundo ele, a pedido de Vorcaro. O empresário, conhecido como Mineiro, firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no caso envolvendo o Banco Master.

Segundo a investigação, o fundo havia sido criado em 2020 para um projeto imobiliário no Texas que não avançou e permaneceu “operacionalmente inerte por quase quatro anos”. O primeiro repasse relacionado ao filme teria ocorrido em 13 de fevereiro de 2025. A administração do Havengate é atribuída a Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

As mensagens analisadas pela PF também mostram o senador Flávio Bolsonaro acompanhando as tratativas financeiras com Daniel Vorcaro e cobrando a liberação de recursos para “Dark Horse”. Em setembro de 2025, ele teria demonstrado preocupação com compromissos assumidos com Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh.

Em outubro, durante o período de gravações, Flávio relatou a Vorcaro que a produção estava no terceiro dia e “no limite”, além de pedir uma definição sobre o aporte para buscar outra alternativa caso o dinheiro não fosse liberado. Em 16 de novembro, na véspera da prisão do banqueiro, voltou a procurar o empresário e escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado recursos a Daniel Vorcaro para financiar o filme, mas negou a existência de qualquer contrapartida. Segundo ele, não haveria “absolutamente nada de errado” em buscar financiamento privado para uma produção sobre o próprio pai. Mais recentemente, voltou a defender a regularidade da operação: “Foi tudo redondinho, investimento privado num filme privado”.

A investigação da Polícia Federal analisa suspeitas relacionadas à estrutura financeira do longa e a possível lavagem de dinheiro. Daniel Vorcaro está preso desde março, após ser detido pela PF em uma investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras e desvio de recursos bilionários, entre outros crimes.

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