
Em 29 de janeiro de 2013, quase 1000 jovens universitários da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e arredores, se reuniram para curtir a festa ‘Aglomerados’, na boate Kiss.
A balada iniciou às 23 horas daquele dia e tinha como uma das atrações principais, a banda Gurizada Fandangueira. Eram em torno de 2h30 da madrugada quando o grupo subiu ao palco. O vocalista Marcelo de Jesus usou um sinalizador externo dentro do local que era fechado e as faíscas atingiram o teto altamente inflamável, o que rapidamente ocasionou em um princípio de incêndio que logo tomaria grandes proporções.
Nesse primeiro momento, ao notar os sinais de fumaça, pessoas começaram a se direcionar para a saída, mas foram impedidas de deixar o local pelos seguranças. Os profissionais acreditavam que elas queriam sair sem pagar a comanda e não haviam notado a fumaça e o fogo.
Muitas dessas pessoas se deslocaram para o banheiro, acreditando se tratar de uma saída de emergência. Seus corpos seriam encontrados empilhados mais tarde dentro do local.
Um grande caos se iniciou e as pessoas começaram a desmaiar em decorrência da fumaça altamente tóxica. Outras foram pisoteadas e queimadas.
Ao todo 242 pessoas morreram e outras 636 ficaram feridas e com sequelas graves.
Considerado o incêndio em boate de maior tragédia em uma casa de shows no Brasil, o caso da Kiss completa 12 anos no dia de hoje e essas são as atualizações:
Quatro pessoas foram condenadas pelo incêndio na casa noturna e, segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, todas continuam presas. O processo tramita em segredo de Justiça.
Os condenados são: Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, ex-sócios da boate, além de Luciano Bonilha Leão, produtor musical, e Marcelo de Jesus, vocalista do grupo Gurizada Fandanguera.
O processo avançou lentamente na Justiça ao longo de uma década, prolongando o sofrimento daqueles que perderam entes queridos. Neste ano, o Coletivo "Kiss: Que Não Se Repita", formado por amigos das vítimas e sobreviventes do incêndio, lançou a campanha "Sobrevivi para Contar". A iniciativa compartilha histórias impactantes de quem foi diretamente afetado pela tragédia, com o objetivo de promover justiça, empatia, preservação da memória e ações para evitar novas tragédias.
O projeto da exposição física tem como objetivo percorrer diversas cidades do Rio Grande do Sul. "Doze anos. Doze histórias. São sobreviventes, amigos e familiares transformando a dor em força. O projeto tem foco em temas como ausência, resiliência e indiferença social", escreveu o coletivo.
De acordo com a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo, Elissandro e Mauro estão detidos na Penitenciária Estadual de Canoas I, enquanto Luciano e Marcelo cumprem pena no Presídio Estadual de São Vicente do Sul.