
Parece que o mundo está dando uma segunda chance para Suzane Von Richthofen, de 40 anos. A mulher, condenada por assassinar os pais Manfred e Marísia Von Richtofen no ano de 2002, está ensaiando prestar concurso público para o cargo de escrevente técnico judiciário no Tribunal da Justiça em São Paulo.
No ato da inscrição, Suzane optou por trabalhar no fórum de Bragança Paulista, cidade do interior onde ela também cumpre pena em regime aberto. Porém, por mais que esteja com o processo de inscrição avançado, ela ainda poderá ser desclassificada por possuir antecedentes criminais.
A função de escrevente envolve serviços administrativos e atendimento ao público e, de acordo com o edital, exige uma conduta que não permite um passado criminoso. É interessante lembrar que Suzane tentou outro cargo público, - este de telefonista da Câmara Municipal de Avaré - mas acabou desistindo por sofrer pressão pública.
Criminosos condenados exercendo cargos públicos abrem brecha para Suzane
No ano de 1997, - curiosamente na noite seguinte ao antigo Dia do Índio e atual Dia dos Povos Indígenas - o cacique do povo Pataxó-Hã-Hã-Hãe, Galdino Jesus dos Santos, foi cruelmente assassinado por cinco jovens da classe alta de Brasília. Galdino dormia em uma parada de ônibus quando foi surpreendido pelos criminosos que atearam fogo, deixando queimaduras em mais de 95% de seu corpo. No dia seguinte, o homem foi decretado morto no Hospital Regional do Norte.
Quase trinta anos depois, os cinco participantes do crime estão livres e exercendo cargos de servidores públicos e essa é justamente a brecha que os advogados de Suzane têm se apoiado para que ela também possa trabalhar no setor público.