“Digger” parece feito para Tom Cruise ganhar o Oscar, mas não será dessa vez

Alejandro G. Iñárritu satiriza o fim do mundo em um filme que parece não ter fim

03/10/2026 às 01h26 Atualizada em 03/10/2026 às 07h08
Por: Flávio Melo
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Foto: IMDb
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Tom Cruise já salvou o mundo tantas vezes no cinema que vê-lo, agora, buscando entender como o mundo chegou ao limite é quase uma ironia. Em "Digger", já em cartaz no Brasil, Alejandro G. Iñárritu coloca o astro em um terreno bem diferente daquele em que costuma desfilar: um magnata do petróleo tentando encontrar uma saída para a destruição que ele próprio ajudou a provocar.

A ideia é boa. E o filme, de fato, tem bons momentos.

Iñárritu aposta em uma sátira que aborda crise ambiental, poder e política, não economiza no exagero e transforma o absurdo em uma espécie de combustível para a crítica.

O problema é que "Digger" parece querer abraçar o mundo inteiro de uma vez. É comédia, drama e fábula. Em certas passagens, essa mistura funciona muito bem. Em outras, o longa parece mais preocupado em mostrar tudo o que quer abordar do que em deixar a história simplesmente acontecer.

E aí entram os diálogos.

Há conversas e monólogos longos demais, que acabam comprometendo o ritmo. Curiosamente, não é um filme excessivamente longo, daqueles que fazem o espectador querer acelerar o relógio. O desgaste vem de outro fator: algumas situações poderiam durar menos, mas insistem em permanecer em cena.

O elenco, por outro lado, compreende essa proposta.

Tom Cruise tem o benefício da maquiagem, mas faz de seu Digger Rockwell um grande evento. Aos 64 anos, o ator, acostumado a missões impossíveis, abraça um personagem bem distante da imagem que construiu ao longo da carreira. Riz Ahmed, Sandra Hüller, John Goodman e Jesse Plemons também entram no jogo e defendem seus papéis, às vezes tão exagerados quanto o roteiro.

Aliás, falando em Cruise, vale um parêntese.

Indicado três vezes ao Oscar por atuação ("Nascido em 4 de julho", "Jerry Maguire" e "Magnólia") e uma vez por produção ("Top Gun: Maverick"), talvez já tenha passado da hora de a Academia premiá-lo. Só que, novamente, não será dessa vez.

Não por falta de mérito. A questão é que 2026 está cheio de grandes atuações. Entre elas, a de John Malkovich, vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza, que aparece como um dos nomes capazes de tirar de Cruise a estatueta dourada.

O mesmo vale para o filme.

Depois de dividir a crítica especializada, "Digger" pode encontrar dificuldades para aparecer em muitas das principais categorias da cerimônia. Isso não significa, porém, que será completamente ignorado. Há aspectos técnicos que podem jogar a seu favor. Design de produção e cinematografia, por exemplo, parecem caminhos plausíveis para uma eventual lembrança.

No fim das contas, "Digger" está longe de ser uma experiência perfeita. Sua ambição é maior do que sua capacidade de organizar todas as ideias que coloca na mesa. Há momentos em que o deboche é inteligente, provoca risos e funciona como denúncia. Em outros, a repetição acaba enfraquecendo tudo o que o diretor queria destacar.

Uma obra que não será lembrada como o maior evento cinematográfico do ano. Mas, tampouco, passará despercebida.

DIGGER | DIR.: ALEJANDRO G. IÑÁRRITU | EUA | 2026

NOTA: 6,5

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Flávio Melo
Sobre o blog/coluna
Flávio Melo Jornalista - MTB 87099/SP

Formado pela Cásper Líbero, é crítico especializado em TV, cinema, streaming e música, além de cronista, criador de conteúdo, podcaster e pesquisador de teledramaturgia.
É um dos idealizadores, apresentadores e roteirista do "Pod tudo e + um pouco!", canal de entrevistas no YouTube com mais de 90 mil inscritos.

Sua coluna no Instagram (@colunaflaviomelo), dedicada à análise de produções audiovisuais, reúne mais de 80 mil seguidores.
Já participou, como convidado, do "Link podcast" (Record Digital), comentando reality shows, e do extinto "Tarde top" (Rede Brasil).

Atualmente, é colunista e redator do Portal e Canal Felipeh Campos e comentarista de cultura, entretenimento e celebridades nos programas "Papo em dia" (Rede Brasil) e "Altos papos" (Rádio Capital), apresentado por Nani Venâncio.

"Ao longo da minha trajetória como comunicador, realizei mais de 100 entrevistas com personalidades de diferentes áreas."
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