
Uma novela precisa saber a hora de acelerar e de respirar. Mas, em "Quem ama cuida", de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, a impressão é de que a história entrou em modo gestação. Como uma mulher à espera do nascimento de um filho, a trama parece estar guardando seus principais acontecimentos para o início do próximo ano, quando finalmente chegará ao fim. Até lá, o público tende a acompanhar uma novela que já dá sinais de cansaço e pouca movimentação.
O capítulo da última terça-feira (3) foi um retrato dessa estagnação. Longuíssimo, terminou praticamente sem acontecimentos relevantes. Depois de dias criando expectativa em torno do tal aulão na escola de dança de Dora (Mariana Ximenes), a grande surpresa foi... um aulão! Quase todo o elenco apareceu fazendo coreografias ao som de músicas dos anos 1980. Quando não era isso, Pedro (Chay Suede) e Adriana (Leticia Colin) dançavam no apartamento dela ou havia diálogos intermináveis entre Pilar (Isabel Teixeira) e Tom (Allan Souza Lima), cujo único assunto era a vilã pedindo que seu amante lhe conseguisse uma arma. Só isso!
Para completar, o capítulo insistiu no triângulo quase infantil entre Mau Mau, Fernando e Felipe, outro enredo frágil da novela.
O problema é que "Quem ama cuida" só termina em janeiro e precisa encontrar fôlego para chegar até lá. Só que capítulos vazios, que apenas ressaltam os feitos esmerados da direção artística de Amora Mautner, não ajudam. Pelo contrário, dão a sensação de que a trama está apenas preenchendo espaço e segurando suas principais cartas para os momentos decisivos.
É uma pena, porque, se terminasse hoje, talvez encerrasse sua trajetória em alta e deixasse uma lembrança muito mais positiva. Do jeito que está, corre o risco de perder espectadores por não ter mais o que contar ou por decidir apostar em resoluções fáceis.
Afinal, nenhum público merece passar tanto tempo esperando a hora de uma novela nascer.