
A lobista Roberta Luchsinger decidiu enviar suas duas filhas para fora do Brasil após relatar ameaças contra ela e a família. A informação foi publicada nesta terça-feira (20) pela coluna de Andreza Matais, no Metrópoles. Em entrevista à CNN Brasil, no sábado (17), Roberta afirmou temer pela própria vida e responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por eventuais acontecimentos envolvendo seus familiares.
“Se algo acontecer comigo ou com as minhas filhas, a culpa é do Lula”, declarou a empresária durante a entrevista. Segundo Roberta, as ameaças se intensificaram depois que o presidente a chamou de “pilantra” publicamente. Ela afirmou que as filhas também passaram a enfrentar intimidações e ataques nas redes sociais.
De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, as jovens têm 16 e 21 anos e deverão deixar o país em breve. A decisão também foi influenciada por um acidente de carro envolvendo a filha mais velha, Valentina, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Roberta afirmou que não conseguiu acompanhar a filha porque está submetida a restrições judiciais que limitam seus deslocamentos. Segundo ela, a polícia investiga o episódio, mas as circunstâncias ainda não foram esclarecidas.
Durante a entrevista à CNN Brasil, a lobista também voltou a criticar Lula e disse que pretende colaborar com as autoridades por meio de um eventual acordo de delação premiada. Roberta é investigada pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas a tráfico de influência e a possíveis irregularidades envolvendo negociações com órgãos públicos. As suspeitas também incluem sua relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. As investigações não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.
O Palácio do Planalto, por sua vez, negou que Lula tenha mantido interlocução com Roberta ou recebido demandas dela. Em nota divulgada à imprensa, a Secretaria de Comunicação Social afirmou que o presidente desconhece os fatos relatados pela empresária e questionou o momento em que as acusações vieram a público, às vésperas do segundo turno presidencial. Até o momento, não há comprovação pública de que o presidente tenha relação com as ameaças relatadas ou com o acidente envolvendo a filha da lobista.