
A Argentina voltou ao centro do debate político brasileiro após integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apontarem o governo de Javier Milei como uma referência para mudanças na economia. Quase três anos depois do início da gestão argentina, os resultados do programa de ajuste fiscal dividem a análise entre avanços nas contas públicas e dificuldades que continuam atingindo parte da população.
A coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, declarou em setembro que Milei era “um ótimo exemplo” para medidas voltadas à redução da burocracia, dos impostos e ao estímulo ao investimento. Segundo ela, a equipe do candidato mapeou mais de mil normas que pretende revogar, inspirando-se parcialmente em iniciativas adotadas na Argentina.
Segundo matéria do SBT News, o governo de Milei implementou um programa de redução de gastos públicos, ajustes nas contas do governo e propostas de privatização. Entre os resultados apontados pelo SBT News estão a desaceleração da inflação e a reversão do déficit fiscal para superávit. A inflação mensal, que estava próxima de 25% em dezembro de 2023, recuou para 1,7% em agosto de 2026.
Os indicadores sociais, porém, mostram um cenário mais complexo. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC), 32,3% da população considerada no levantamento vivia abaixo da linha da pobreza no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 9,7 milhões de pessoas em 31 aglomerados urbanos. O desemprego também aumentou: chegou a 7,9% no segundo trimestre, contra 7,6% no mesmo período do ano anterior.
A economia argentina apresentou crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos dois primeiros trimestres de 2026, na comparação com os mesmos períodos de 2025. Apesar disso, setores como comércio e indústria enfrentam retração. Para especialistas ouvidos pelo SBT News, os resultados precisam ser analisados considerando os custos sociais do ajuste, além das diferenças entre a estrutura econômica argentina e a brasileira.
O professor de economia internacional do Insper Roberto Dumas alertou que os cenários dos dois países são distintos e que as medidas de Milei não podem ser simplesmente reproduzidas no Brasil. Durante o debate presidencial da Band, em 18 de outubro, Flávio evitou confirmar se adotaria o modelo argentino. A discussão, portanto, envolve tanto os resultados fiscais quanto os efeitos sobre emprego, renda, pobreza e atividade econômica.