
Fernando Grostein Andrade, cineasta e irmão do apresentador Luciano Huck, chamou a atenção nas redes sociais ao fazer um desabafo sobre as dificuldades que enfrenta para viabilizar novos projetos audiovisuais. Em um vídeo publicado no Instagram, ele afirmou que costuma receber demonstrações de entusiasmo durante reuniões profissionais, mas que, posteriormente, os possíveis parceiros deixam de responder. O diretor também relacionou essa situação à repercussão de um documentário crítico ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Logo no início da gravação, Fernando fez uma brincadeira sobre a possibilidade de pedir dinheiro aos conhecidos. “Se você receber uma mensagem minha no WhatsApp pedindo dinheiro, não é golpe. Provavelmente sou eu mesmo pedindo para você acreditar em mim e investir em algum dos meus projetos audiovisuais”, declarou. Na sequência, explicou que vem percebendo um padrão em suas tentativas de conseguir financiamento e parcerias para o cinema.
Segundo o cineasta, o cenário mudou depois do lançamento de “Quebrando Mitos”, documentário dirigido por ele e Fernando Siqueira que aborda a trajetória política de Bolsonaro e apresenta uma visão crítica sobre o ex-presidente. A produção foi lançada inicialmente em 2022, antes das eleições presidenciais daquele ano. Fernando afirmou que, desde então, passou a enfrentar situações nas quais reuniões aparentemente positivas não resultam em oportunidades concretas de trabalho.
“Eu tenho ótimas reuniões, as pessoas adoram os projetos, mostram entusiasmo, dizem ‘vamos trabalhar juntos’ e, de repente, somem”, relatou. O diretor levantou a hipótese de que o posicionamento político possa influenciar a postura de possíveis parceiros, embora não tenha apresentado evidências que comprovem uma relação direta entre os episódios.
Durante o vídeo, Fernando também mencionou uma experiência internacional envolvendo a NASA. Ele relembrou que um curta-metragem produzido por brasileiros foi utilizado em um experimento de comunicação óptica no espaço profundo, durante a missão Psyche, da agência espacial norte-americana. A obra incluiu imagens da Bahia e a participação de artistas brasileiros. O projeto já havia sido abordado em reportagens publicadas em 2024 e voltou a ganhar destaque em 2026, com a utilização da tecnologia em iniciativas espaciais posteriores.
Ao comparar a receptividade internacional com as dificuldades que diz enfrentar no mercado brasileiro, o cineasta afirmou acreditar que parte do setor cultural prefere trabalhar com artistas que não expressem opiniões capazes de gerar desconforto. “O nosso mercado adora artistas que têm algo a dizer, desde que não digam nada que possa incomodar o almoço de domingo”, declarou.
Fernando concluiu dizendo que pretende continuar produzindo filmes e procurando parceiros que respeitem sua independência de pensamento. “Eu respeito quem pensa diferente de mim. O que me intriga é quando pensar diferente vira um problema profissional”, afirmou. O desabafo encerrou com uma frase que resume a crítica do diretor ao mercado audiovisual brasileiro: “Às vezes, fica mais fácil a gente arrumar trabalho em Marte do que no Brasil”.