
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador fitness Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. O pedido foi apresentado nas alegações finais do processo, etapa em que as partes se manifestam antes do julgamento. Segundo as informações divulgadas pelo Portal LeoDias em 28 de outubro, a soma das penas pode chegar a 51 anos e oito meses de prisão, caso haja condenação.
A acusação está relacionada à empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, localizada em Diadema, na Grande São Paulo, da qual Cariani é sócio. De acordo com a denúncia, a companhia teria participado de um esquema de desvio de produtos químicos controlados, como acetona, éter etílico, ácido clorídrico, fenacetina e manitol, que poderiam ser utilizados na produção e no processamento de drogas.
Segundo as investigações, o esquema teria envolvido notas fiscais falsas para simular vendas regulares dos insumos a grandes empresas farmacêuticas. Os produtos, porém, teriam sido encaminhados a uma rede de traficantes para o refino, a adulteração e o aumento do volume de substâncias ilícitas, incluindo cocaína e crack. As autoridades apontaram 59 operações suspeitas durante a apuração do caso.
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público paulista, também citou mensagens que, segundo a acusação, indicariam que Cariani tinha conhecimento da finalidade dos produtos químicos. A investigação ainda apontou uma suposta relação do empresário com um policial civil ligado à fiscalização dessas substâncias. As alegações fazem parte do processo e ainda precisam ser avaliadas pelo Judiciário.
A defesa do influenciador afirmou ao Portal Leo Dias que recebeu o pedido de condenação com naturalidade e que a manifestação do Ministério Público não representa uma surpresa. Os advogados sustentam que as acusações são improcedentes e afirmam que apresentarão argumentos para contestar a interpretação das provas produzidas durante a instrução processual.
Cariani foi indiciado pela Polícia Federal em dezembro de 2023 e se tornou réu em fevereiro de 2024, quando a Justiça aceitou a denúncia. O processo também envolve Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, apontados pela acusação como participantes do esquema. Até a publicação da reportagem, o empresário respondia à ação penal em liberdade, e o pedido do Ministério Público ainda não representava uma condenação definitiva.