
O instrumentista Tony Bellotto, integrante da formação dos Titãs, abordou publicamente sua batalha contra um câncer de pâncreas e destacou sua principal aspiração para os anos vindouros: preservar a existência e desfrutar plenamente o cotidiano. Em declaração concedida ao periódico “O Globo”, o artista explicou de que forma a descoberta da enfermidade reconfigurou sua perspectiva sobre o viver.
Após ser diagnosticado em 2025, o músico submeteu-se a um procedimento cirúrgico de ressecção tumoral e finalizou o ciclo quimioterápico. No momento, permanece sob monitoramento clínico contínuo e já reassumiu seus compromissos profissionais, dividindo-se entre a agenda de apresentações com o grupo de rock e sua faceta literária.
Questionado acerca de suas ambições pessoais a longo prazo, o violonista expressou que sua prioridade máxima reside na manutenção da saúde e no cultivo de suas paixões: “Nos próximos anos, primeiro eu gostaria de continuar vivo. Isso vai ser o suficiente. Vou saber aproveitar a vida como eu estou sabendo agora. Fazendo minhas coisas, fazendo música, escrevendo, me divertindo. E é isso. Ficar vivo, esse é o meu objetivo”, sustentou.
O compositor detalhou ainda como o impacto do laudo médico alterou sua relação com a própria mortalidade: “Um diagnóstico de câncer e, no meu caso, de um tão grave quanto o de pâncreas muda totalmente a sua visão de vida. É instantâneo, quase como entrar numa outra dimensão. Você enxerga a finitude de forma palpável, sólida, à sua frente e precisa lidar com tudo o que vai acontecendo”, pontuou.
Ao longo da sabatina, Tony esclareceu que o esquema quimioterápico encontra-se suspenso atualmente, embora os cuidados e supervisões médicas sigam ativos. Ele relatou ter enfrentado um quadro neuropático pós-operatório caracterizado por parestesia no membro superior direito, limitação que temporariamente interferiu em sua performance instrumental.
Graças aos treinos e ajustes motores, a complicação foi superada. Ao avaliar seu processo de reabilitação, Bellotto assegurou o retorno integral às suas capacidades performáticas: “Sigo tocando normalmente, como sempre, e esses pequenos desconfortos são sempre superados em função de você estar tratando uma coisa que é maior. Mas não tenho mais sequela nenhuma, estou bem”, arrematou.