Defesa de Marcola contesta a operação que prendeu Deolane Bezerra

O jurista Bruno Ferullo protocolou nesta semana a peça de resposta à denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) no âmbito da Operação Vérnix

06/11/2026 às 15h34
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
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Reprodução: Redes Sociais
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Figura emblemática do universo criminal brasileiro, Marcola é identificado pelo Poder Judiciário como um dos nomes centrais na estrutura do PCC. Atualmente, seu corpo jurídico contesta formalmente uma apuração sobre ocultação de bens e capitais ligados à organização, desdobramento que acabou citando a influenciadora digital Deolane Bezerra, conforme divulgado pelo portal Metrópoles.

O jurista Bruno Ferullo protocolou nesta semana a peça de resposta à denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) no âmbito da Operação Vérnix. Ele assume a tutela legal de Marcola e de três familiares do investigado, todos alvos da investida policial deflagrada em maio.

Na avaliação do defensor, vícios e falhas de procedimento identificados comprometem a rigidez das etapas processuais. Ele reiterou ainda que parcela do conjunto probatório segue retida sem o devido repasse:

“A defesa também requereu acesso aos elementos da investigação que ainda não lhe foram disponibilizados, além de outras diligências que considera necessárias ao esclarecimento dos fatos e ao exercício do contraditório e da ampla defesa”.

Os representantes aguardam o parecer do órgão ministerial e o posterior exame das demandas pelo magistrado da causa.

Compreenda o elo com Deolane Bezerra

A advogada e criadora de conteúdo figurou na lista de alvos da Operação Vérnix, deflagrada para desarticular a engenharia de branqueamento de capitais do grupo criminoso. De acordo com os levantamentos da Polícia Civil e do Ministério Público paulista, o inquérito mapeou a rede utilizada para dissimular valores e guardar bens ilícitos.

A apuração atribui à influenciadora o recebimento de quantias superiores a R$ 1 milhão por meio de transferências fracionadas de R$ 10 mil no intervalo entre 2018 e 2021. Além disso, montantes que somam cerca de R$ 716 mil teriam sido creditados via dezenas de depósitos nas contas de duas pessoas jurídicas vinculadas à profissional.

No registro das transações, as remessas figuram em nome de um indivíduo domiciliado na Bahia, cuja renda declarada gira em torno de um piso salarial nacional. Por determinação da Justiça, cerca de R$ 27 milhões em contas ligadas à influenciadora foram congelados, acompanhados da apreensão de patrimônio imobiliário e automóveis de alto padrão pertencentes aos citados.

A origem da investida remonta a 2019, motivada pelo recolhimento de manuscritos da facção no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Os bilhetes continham registros de diretrizes da cúpula, mapas contábeis e até articulações para atentados contra agentes do Estado.

Em meio aos anotações, os agentes identificaram menções diretas a uma “mulher da transportadora”, pista que direcionou o foco policial a uma firma de fretes situada nas imediações do estabelecimento penal. A partir das diligências, a empresa passou a ser tratada como um dos pilares de sustentação financeira do grupo.

O quadro investigativo ganhou novos contornos após a deflagração da Operação Lado a Lado, em 2021. A perícia efetuada no dispositivo móvel de um articulador financeiro revelou diálogos sobre partilha de dividendos, fluxos bancários e ordens emanadas do alto comando, contexto em que a menção a Deolane emergiu nos autos.

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