Ator e cineasta francês, Gérard Depardieu é condenado a 18 meses de prisão por agressões sexuais

Condenação histórica expõe bastidores obscuros do cinema francês e fortalece a luta por justiça para as mulheres

13/05/2025 às 11h38 Atualizada em 13/05/2025 às 11h39
Por: Mateus Pereira
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Foto: taniavolobueva via Shutterstock
Foto: taniavolobueva via Shutterstock

O ator e cineasta francês Gérard Depardieu foi condenado nesta terça-feira (13) a 18 meses de prisão por agressões sexuais cometidas durante as filmagens do longa “Les Volets Verts”, em 2021. A decisão da justiça francesa não prevê cumprimento imediato da pena, mas o impacto da sentença já reverbera. Além da condenação criminal, o ator terá que pagar uma indenização de 29.040 euros às duas vítimas. A Corte também determinou a inclusão do nome de Depardieu no cadastro nacional de criminosos sexuais.

As agressões ocorreram em pleno set de filmagem, segundo relataram uma cenografista de 54 anos e uma assistente de 34. Ambas denunciaram toques não consentidos e posturas inadequadas do ator. Durante o julgamento em março, Depardieu negou que suas ações tivessem conotação sexual, embora tenha admitido o uso de linguagem vulgar e ter agarrado os quadris de uma das vítimas durante uma discussão.

Ausente na audiência final, o veterano de mais de 200 produções no cinema e na TV tornou-se a figura mais visada no centro do #MeToo francês. O movimento, que ganhou força nos Estados Unidos, tem ganhado tração na França nos últimos anos, quebrando o silêncio em torno de abusos historicamente ignorados dentro da indústria cultural do país. A condenação do indicado ao Oscar em 1991 por “Cyrano de Bergerac” foi vista como simbólica por muitas mulheres da área.

Mesmo sem cumprir a pena de imediato, os reflexos da decisão começaram a atingir a carreira de Depardieu. Novos projetos com seu nome passaram a ser repensados, e a presença do ator em futuras produções virou motivo de pressão pública. A condenação acendeu o debate sobre a urgência de ambientes mais seguros e igualitários no audiovisual francês - e colocou em xeque o tratamento dado às vítimas até aqui.

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