
Sebastião Salgado, um dos fotógrafos mais renomados do mundo, faleceu hoje, 23 de maio de 2025, aos 81 anos, em Paris. Natural de Aimorés, Minas Gerais, Salgado dedicou sua vida à fotografia documental, tornando-se uma referência internacional por seu olhar sensível e comprometido com as questões sociais e ambientais.
Sua carreira começou nos anos 1970, quando trabalhava como economista para a Organização Internacional do Café. Durante viagens à África, começou a fotografar com a câmera de sua esposa, Lélia Wanick Salgado, e logo se tornou fotojornalista independente. Em 1979, ingressou na agência Magnum e, em 1981, cobriu o atentado contra o presidente dos EUA, Ronald Reagan, o que lhe permitiu financiar seu primeiro projeto pessoal: uma série de fotos sobre a pobreza na América Latina, publicada em seu livro Outras Américas (1986).
Ao longo de sua carreira, Salgado percorreu mais de 120 países, documentando temas como a seca no Sahel, o trabalho humano, os fluxos migratórios e as condições de refugiados. Entre suas obras mais notáveis estão Trabalhadores (1993), Êxodos (2000) e Gênesis (2013). Seu estilo inconfundível, em preto e branco, capturava a dignidade humana em meio ao sofrimento, tornando-se um poderoso instrumento de denúncia e reflexão.
Além de seu trabalho fotográfico, Salgado fundou em 1994 o Instituto Terra, em Minas Gerais, com sua esposa para promover a recuperação ambiental e o reflorestamento. O instituto já reflorestou mais de 700 hectares de Mata Atlântica e tornou-se um símbolo de sua preocupação com a preservação do meio ambiente.
Seu legado é celebrado mundialmente, com exposições itinerantes e publicações que continuam a inspirar gerações. Em 2016, foi eleito membro da Academia de Belas Artes da França, tornando-se o primeiro brasileiro a integrar a instituição. Seu trabalho também foi reconhecido com diversos prêmios internacionais, incluindo o W. Eugene Smith Memorial Fund, o Centenary Award da Royal Photographic Society e o título de Embaixador da Boa Vontade do UNICEF.
Sebastião Salgado deixa uma obra que transcende a fotografia, sendo um testemunho da humanidade e um convite à reflexão sobre nosso papel no mundo.