Zezé Motta relembra ensaio nu nos anos 70: “Fui expulsa da igreja”

Com mais de cinco décadas de trajetória, Zezé construiu uma carreira que atravessa gerações e rompeu barreiras para artistas negros no Brasil.

30/05/2025 às 20h24 Atualizada em 30/05/2025 às 20h38
Por: Redação
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Zezé Motta. Reprodução/Instagram
Zezé Motta. Reprodução/Instagram

A atriz Zezé Motta, hoje com 80 anos, na última quinta-feira (29) compartilhou com seus seguidores uma lembrança marcante do início da carreira. No começo dos anos 70, antes de se tornar nacionalmente conhecida por “Xica da Silva”, ela posou nua para a capa da revista “A Pomba”, numa sessão que também promovia uma marca de motocicletas. As fotos, feitas no Rio de Janeiro com o Pão de Açúcar ao fundo, causaram polêmica — e levaram à sua expulsão da igreja que frequentava com a mãe.

"A primeira vez que eu posei nua foi para a capa de uma revista e ainda fazendo campanha para a Honda. Sabe aquele jabá no início da carreira que não dá pra recusar? Está aí um ensaio que deu o que falar. Revista “A Pomba”, que saiu nos primeiros anos da década de 70. Por conta dessas fotos fui expulsa da igreja que ia com a minha mãe..."

“Foi um trabalho que não dava pra recusar no início da carreira”, explicou Zezé. Ela também revelou que cresceu sob forte repressão, entre internato e regras familiares rígidas, mas nunca viu a nudez como algo vergonhoso. Pelo contrário, sempre tratou o corpo com naturalidade e liberdade.

A atriz lembrou ainda, com humor, da fama que ganhou nos bastidores: “O Domingos de Oliveira dizia que, mesmo vestida, parecia que eu estava nua. O Nelson Motta falava que os diretores nem pediam, eu mesma já ia tirando a roupa. Batia a claquete, eu baixava a alça do sutiã!”.

Zezé Motta começou sua trajetória artística nos anos 1960, no teatro, e logo se destacou pela força cênica e musical. Ainda jovem, foi aluna do tradicional Tablado e passou a integrar montagens importantes da cena carioca. Sua projeção nacional veio em 1976 com o filme "Xica da Silva", de Cacá Diegues, onde interpretou uma das personagens mais emblemáticas do cinema brasileiro. O papel, ousado e revolucionário para a época, colocou Zezé no centro das discussões sobre raça, corpo e protagonismo feminino.

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