
Neste domingo (20), a cantora Preta Gil, de 50 anos, não resistiu ao tratamento contra o câncer e faleceu nos Estados Unidos. De acordo com a jornalista Fábia Oliveira, Preta apresentou uma piora significativa em seu quadro de saúde desde a última quarta-feira (16).
A artista estava em uma clínica para mais uma sessão de quimioterapia quando passou mal. Exames realizados no local indicaram que a doença havia se espalhado para outras partes do corpo, agravando sua condição.
No dia 10 de janeiro de 2023, Preta Gil anunciou em suas redes sociais que havia sido diagnosticada com um câncer no intestino. Ela procurou atendimento médico após sentir desconfortos persistentes e ficou seis dias internada para exames, que confirmaram a doença. Durante o tratamento, passou por momentos críticos — como uma sepse durante o quinto ciclo de quimioterapia, que a deixou inconsciente por quatro horas, exigiu reanimação e a levou à UTI por 20 dias.
Em agosto de 2023, Preta foi submetida a uma histerectomia total abdominal para retirada do tumor. À época, comemorou o sucesso da cirurgia e revelou que seu corpo estava livre de células cancerígenas. No entanto, mesmo com a retirada total do tumor, ela afirmou que ainda teria um longo processo de recuperação até a cura definitiva. Em dezembro, chegou a informar o encerramento do tratamento nas redes sociais.
Porém, em agosto de 2024 — um ano após a cirurgia —, a cantora revelou que o câncer havia retornado, desta vez atingindo outras áreas do corpo. A notícia foi compartilhada um dia após sua internação no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Desde então, Preta enfrentou uma sequência intensa de procedimentos, incluindo uma cirurgia de amputação no reto, o uso de uma bomba portátil para quimioterapia, uma operação de 21 horas e a adoção permanente de uma bolsa de colostomia. Na reta final de sua luta, seguiu para os Estados Unidos em busca de um tratamento mais avançado, onde infelizmente veio a falecer.
Filha do cantor e ícone da MPB Gilberto Gil, Preta Gil iniciou sua trajetória artística no início dos anos 2000 e rapidamente se destacou por sua autenticidade, irreverência e forte conexão com o público. Lançou seu primeiro álbum, "Prêt-à-Porter", em 2003, que marcou sua estreia na música misturando pop, samba, funk e MPB, com letras que abordavam empoderamento, autoestima e liberdade.
Ao longo da carreira, Preta construiu uma identidade artística própria, sempre pautada pela defesa da diversidade, inclusão e combate à gordofobia, homofobia e outras formas de preconceito. Tornou-se um dos principais nomes da música pop nacional voltada ao público LGBTQIA+, sendo presença constante em eventos como a Parada do Orgulho LGBTQIA+ e o Carnaval de rua do Rio de Janeiro, com seu tradicional Bloco da Preta, que arrasta multidões.
Além da música, Preta também atuou como apresentadora, atriz e empresária. Participou de novelas, filmes, programas de TV e produziu diversos projetos culturais. Sempre engajada em causas sociais, usava sua visibilidade para apoiar pautas importantes e falar sobre sua própria trajetória com franqueza e coragem — incluindo questões sobre corpo, sexualidade, saúde mental e, mais recentemente, sua luta pública contra o câncer.