
A corrida eleitoral para a Presidência da República em 2026 já começou a desenhar seus contornos, ainda que de forma preliminar — e os últimos dados da pesquisa Datafolha somados às manifestações bolsonaristas realizadas neste domingo (3) reforçam que a disputa promete ser apertada. A análise é da jornalista Amanda Klein, durante a edição desta segunda-feira do programa Mercado Aberto, exibido no Canal UOL.
Embora os números mais recentes sejam ligeiramente mais favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a situação está longe de ser confortável. Segundo o levantamento divulgado no fim de semana, a aprovação do petista segue estagnada: 29% dos brasileiros consideram seu governo ótimo ou bom, enquanto 40% o classificam como ruim ou péssimo — os mesmos índices observados em junho.
“Os números são mais favoráveis a Lula do que eram há um mês, mas estão longe de trazer conforto ou convicção de vitória”, pontua Amanda Klein.
Apesar da estabilidade nos índices de avaliação, o presidente larga na frente de todos os principais nomes da direita no primeiro turno e conseguiu ampliar sua vantagem em simulações de segundo turno. No entanto, o cenário segue embolado quando Lula é colocado frente a frente com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — neste caso, o petista aparece em situação de empate técnico, evidenciando que a disputa permanece aberta.
Outro ponto destacado por Amanda é o crescimento de nomes que até então ocupavam posições discretas no radar presidencial. É o caso de Geraldo Alckmin (PSB), atual vice-presidente, que na pesquisa aparece se aproximando de Fernando Haddad (PT) na preferência do eleitorado progressista, sinalizando que pode herdar parte do eleitorado de Lula, caso o petista não dispute a reeleição.
Entre os nomes da direita, chama atenção o desempenho do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD). Com uma imagem mais técnica e distante do bolsonarismo mais radical, o paranaense se posiciona como o segundo melhor colocado do campo conservador — atrás apenas de Tarcísio.
“Ratinho Junior, governador de direita mais pragmático e que evita aproximação excessiva com Bolsonaro, se sai melhor que outros nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado”, comenta Amanda.
O cenário político ganhou ainda mais complexidade com as manifestações realizadas por apoiadores de Jair Bolsonaro neste domingo (3). Em São Paulo, cerca de 37 mil pessoas ocuparam a Avenida Paulista, segundo estimativa da Universidade de São Paulo (USP). O número representa o triplo de participantes do ato de junho, embora ainda fique abaixo da mobilização registrada em abril.
“O domingo de manifestações bolsonaristas pelo Brasil levou um número considerável de pessoas às ruas”, observou Amanda.
A movimentação nas ruas, associada ao desempenho de líderes conservadores nas pesquisas, revela que a base bolsonarista segue ativa e organizada, mesmo diante das restrições judiciais que hoje impedem Bolsonaro de participar de atos públicos ou se comunicar em redes sociais.